Nada é tão novo, nada é tão velho.
É nova a casa, não a despedida.
Novo mundo, velha vida.
O círculo eterno, sem começo,
Sem fim.
Findo o ciclo, reinicio.
Cidade que se diz "divina",
divino conhecer, entretanto,
Cidade, que nasce, ajuda-se a nascer.
Se está lá ao momento,
Segurando no colo, a esperança.
Cidade que vive, cresce, adoece, cura-se.
É curada. E brota outra vez da vontade.
E adoece por mais uma vez, e chia, e tosse.
E assim melhora, desenvolve.
De um mesmo modo, já adulta,
Encontra conforto aos anseios,
Ao coração que falha, dói.
À mente que nem sempre só faz pensar.
Ao ar que falta, ao estômago.
E ao fim, encontra acalento, conforto,
Para o inevitável de tudo o que vive,
E entrega-se aos braços da morte,
Ou vive por mais uma vez, instantes.
E passa por fim à poeira do universo,
O corpo que nasceu, cresceu, viveu.
Na cidade "divina", de onde hoje me despeço.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Foi como ver-te
E no mesmo andor inconstante,
Que andei ano após anos,
Se desequilibrou ao rever-te.
Após este tanto tempo...
É tudo diferente, ainda assim,
Tudo é igual, você é a mesma.
Pela qual chorei, sorri,
Estive em insônia, estive.
E num lampejo infeliz,
A vi sair pela mesma porta,
Da mesma forma, e meu coração
Deixou à deriva por mais uma vez.
E não pela última. Voltou;
sei que ainda na noite,
Em que me deixaste,
Deitarei, e na cama,
Hei de estar por toda a noite.
Sem conseguir sequer fechar os olhos.
Que andei ano após anos,
Se desequilibrou ao rever-te.
Após este tanto tempo...
É tudo diferente, ainda assim,
Tudo é igual, você é a mesma.
Pela qual chorei, sorri,
Estive em insônia, estive.
E num lampejo infeliz,
A vi sair pela mesma porta,
Da mesma forma, e meu coração
Deixou à deriva por mais uma vez.
E não pela última. Voltou;
sei que ainda na noite,
Em que me deixaste,
Deitarei, e na cama,
Hei de estar por toda a noite.
Sem conseguir sequer fechar os olhos.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Nox, noite.
E torno a escrever, a blindar-me.
Brindar. É noite, escura.
E me perco em seu cabelos negros,
Em negra pele e negros olhos.
Só tenho a me alumiar o pouco brilho
Das estrelas distantes, sufocadas, como eu.
Por meias luzes, meio luzeiros.
Que não brilham em si, não conseguiriam.
Apenas se servem.
De a beleza do brilho alheio.
Na noite tenho tanto, inspiração.
Tenho pouco luar, tão delicado.
Se esvai com a fumaça da manhã.
E leva toda poesia, sem pena, da noite.
E tento varrer da memória,
As lembranças da noite escura.
E não consigo, pois estarão, sempre
E para sempre, marcadas.
Na própria noite escura que se finda,
E recomeça.
Brindar. É noite, escura.
E me perco em seu cabelos negros,
Em negra pele e negros olhos.
Só tenho a me alumiar o pouco brilho
Das estrelas distantes, sufocadas, como eu.
Por meias luzes, meio luzeiros.
Que não brilham em si, não conseguiriam.
Apenas se servem.
De a beleza do brilho alheio.
Na noite tenho tanto, inspiração.
Tenho pouco luar, tão delicado.
Se esvai com a fumaça da manhã.
E leva toda poesia, sem pena, da noite.
E tento varrer da memória,
As lembranças da noite escura.
E não consigo, pois estarão, sempre
E para sempre, marcadas.
Na própria noite escura que se finda,
E recomeça.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Vesti
Despi-me de todo eu,
Para que despido possa
Ser visto, e como sou.
Encontrei após tudo.
Algo que mesmo eu não conhecia.
Encontrei um meio ser,
De meia vida, vida e meia.
De inteira solidão.
E repleto de melancolia.
E sempre sobra algo a cobrir,
De vergonhas tatuadas no mais profundo.
Quem trato, e trago.
Pois é um tanto impossível.
Demonstrar-me à nudez escondida.
Não me reconheci, não reconheço,
E prontamente, com rapidez,
Ansiosamente e tremendo de medo,
E ofegante, e aproximado ao pânico.
Juntei tudo e me vesti.
Para que despido possa
Ser visto, e como sou.
Encontrei após tudo.
Algo que mesmo eu não conhecia.
Encontrei um meio ser,
De meia vida, vida e meia.
De inteira solidão.
E repleto de melancolia.
E sempre sobra algo a cobrir,
De vergonhas tatuadas no mais profundo.
Quem trato, e trago.
Pois é um tanto impossível.
Demonstrar-me à nudez escondida.
Não me reconheci, não reconheço,
E prontamente, com rapidez,
Ansiosamente e tremendo de medo,
E ofegante, e aproximado ao pânico.
Juntei tudo e me vesti.
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
10/11/12
Noite escura de chuva,
Intensa noite de chuva esparsa.
Espaço interno de crescente agonia.
E um adeus tão longo que dura,
Durante toda uma noite.
Madrugada calma e eterna,
Donde descansa minh'alma.
És escura como eu,
És fria como eu.
E os acordes do violão,
Acordam os vizinhos, porém,
Acalmam a mente, me fazem.
Como música serena, em arrepios,
Leva-me à tranquilamente dormir.
Desculpem-me vizinhos,
Descuido meu, ruídos a estas horas.
É que insisto em permanecer alerta.
E retorno à minha natureza, de
Dormir apenas quando há sono.
E de não ter hora, horário.
E sinto, por entre os nervos,
E entranhas, e por baixo da pele.
E pela.
A madrugada agora é calma.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
À inspiração
Não a tenho mais não.
Foi-se embora com o vento,
Mesmo contra o intento,
Foi-se embora inspiração.
Entreguei-a ao primeiro,
Que cruzou à minha frente.
E nem trago à minha mente,
De cruel e derradeiro.
Momento tão de imbecil
Indouto, interno, "inclaro".
Deixei-a levar tão facilmente.
Inspiração minha, e raro.
O momento em que declaradamente
fui traído, a perdi, e fácil.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Sereia de Sorriso.
Sereia és, e de sorriso,
Encantas tudo ao derredor.
De voz meiga e delicada,
De mãos e dedos longos.
E o sol estático contempla,
O arranjar bendito de seus dentes,
Contentes ao me ver.
E toda a terra parou.
E foi a primeira vez, inédita,
Que contemplei algo tão lindo,
Maravilhoso, completamente.
O bastante para um único dia.
Perdido estou, ainda nem me encontrei,
Não sei se encontrarei,
Sorriso limpo, pleno, perfeito.
Ris dos pobres homens,
Que na praia dos seus cabelos
Ousam descansar.
De Prudêncio e Bertolo em Meu Amores...
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Viúva Maldita
A medicina é assassina, daquelas cruel e feroz.
Mata no peito, no início, lá bem ao começo.
É figueira, que lhe abraça, e suga...
Suga a vida, toda linfa, toda casca, suga até raízes.
E amor que tira todo romantismo, é vida que consome.
Medicina é, para quem já conhece, esposa maldosa.
É sogra, de tão traiçoeira. Talvez cunhado.
Medicina é mãe desnaturada, que de depressão após o parto,
Se afasta do feto, o joga no lixo. No lixo.
É em si própria divina, uma divindade pagã.
Esta infeliz mata o poeta, racionaliza o sentimento.
Transforma o sagrado em pecado, é ranço maldito.
E em seu sôfrego filho, e marido, faz crescer, faz diminuir.
Medicina é escravocrata, escraviza o já liberto.
É eterna, não etérea. Não deixa o direito da escolha.
Como eu te odeio, cretina de de uma figa!
Te odeio até as entranhas, maldita. Você me mata.
Mata o poeta, mata o romântico, mata o puro.
Mata o cristão, mata o interiorano, mata o mestiço.
Babilônia, a minha alma não é tua! Imunda.
Medicina é morte. Também é vida. E morte tua. E vida minha.
Ela escolhe, ela fere e sangra.
É viúva, e viúva negra!
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Da esposa e da amante...
A medicina é esposa,
Me acorda às madrugadas,
Me esgota de dia,
Entorpece à noite e da rotina,
Me faz escravo.
Existe amor de esposa.
A poesia é amante,
Daquele amor mais fugaz,
Que vem chega e arrebata.
É amor de chamego, é amor de escolha.
É amor que acaba.
Existe amor de amante.
Queria não ter a escolha,
Digo não ter que escolher.
A esposa odeia a amante,
É arte ao não ser, é cínica.
A amante odeia é a mim,
Não me sai do pensamento.
Talvez um dia a esposa,
Essa sim me possa salvar,
Talvez me desintoxicar
Do amor da amante,
Amor que arranha, amor que arranca,
De mim o desejo de ser,
Completamente da esposa.
A medicina é só minha esposa,
Minha amante mesmo é a poesia...
De Prudêncio e Bertolo em Meu Amores...
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Abril.
Curtos são os sóis,
Que atravesso a cada dia,
Vivo eterna agonia,
Em tempo que destróis.
Tapetes de relva madura,
Florestas escuras enfim,
Não tenho nesta clausura,
Direito de tê-las a mim.
Prisão que é a beleza,
Inteira, interna, fugaz.
As noites em claro, tristeza,
À mente ela finda me traz.
Os olhos então marejados,
Vislumbram passado gentil,
Saúde e desejo finados,
Das noites quentes de abril...
De Prudêncio de Bertolo em Meu Amores!
Que atravesso a cada dia,
Vivo eterna agonia,
Em tempo que destróis.
Tapetes de relva madura,
Florestas escuras enfim,
Não tenho nesta clausura,
Direito de tê-las a mim.
Prisão que é a beleza,
Inteira, interna, fugaz.
As noites em claro, tristeza,
À mente ela finda me traz.
Os olhos então marejados,
Vislumbram passado gentil,
Saúde e desejo finados,
Das noites quentes de abril...
De Prudêncio de Bertolo em Meu Amores!
terça-feira, 5 de junho de 2012
Soneto
Esta noite tive um sonho,
De tão completo e real,
Contemplei minha morte.
Descubro um não ser imortal.
Neste sonho estive só
Permaneci perplexo,
Tentando conter o reflexo,
De tornar-me outra vez ao pó.
Contemplei meu último fôlego,
O suspiro que foi o final,
Vi exatamente o quando, a hora e dia.
Caí então deste corpo
Sôfrego, imundo, irreal
Morri etéreo, envolto, intoxicado de poesia.
De Prudêncio e Bertolo em Meu Amores.
De tão completo e real,
Contemplei minha morte.
Descubro um não ser imortal.
Neste sonho estive só
Permaneci perplexo,
Tentando conter o reflexo,
De tornar-me outra vez ao pó.
Contemplei meu último fôlego,
O suspiro que foi o final,
Vi exatamente o quando, a hora e dia.
Caí então deste corpo
Sôfrego, imundo, irreal
Morri etéreo, envolto, intoxicado de poesia.
De Prudêncio e Bertolo em Meu Amores.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Terço de "ora"
Tudo muda no mundo
Dentro de um terço de hora,
Ora,apenas num segundo,
Eis que conto a estória.
Amigos viram amores,
Amores tornam-se ira,
Escravos viram senhores,
"Verdade" se torna mentira
Acusações são feitas,
Porém não se desanime,
Contadas, refeitas, desfeitas,
Por suspeitos de um mesmo crime.
Pois dentro de vinte minutos,
Descobrem-se as mentes brilhantes,
Os loucos se tornam astutos
E os gênios se tornam farsantes...
De Prudêncio e Bertolo em Meu Amores.
Dentro de um terço de hora,
Ora,apenas num segundo,
Eis que conto a estória.
Amigos viram amores,
Amores tornam-se ira,
Escravos viram senhores,
"Verdade" se torna mentira
Acusações são feitas,
Porém não se desanime,
Contadas, refeitas, desfeitas,
Por suspeitos de um mesmo crime.
Pois dentro de vinte minutos,
Descobrem-se as mentes brilhantes,
Os loucos se tornam astutos
E os gênios se tornam farsantes...
De Prudêncio e Bertolo em Meu Amores.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Do movimento caótico,
Do universo Humano,
Do divino Contraste.
Da confusão atômica,
Da ignorância biológica,
Da humilde arrogância,
Da beleza tétrica.
Sou amante do caos,
Do inexorável,
Do irremediável,
Do incurável.
O Caos é perfeito.
Não gosto da morte,
Tão previsível é,
É certa, matemática,
Prefiro a vida, não sei o que virá,
Prefiro o caos,
O incontrolável me agrada...
De Prudêncio e Bertolo em Meu Amores...
Do universo Humano,
Do divino Contraste.
Da confusão atômica,
Da ignorância biológica,
Da humilde arrogância,
Da beleza tétrica.
Sou amante do caos,
Do inexorável,
Do irremediável,
Do incurável.
O Caos é perfeito.
Não gosto da morte,
Tão previsível é,
É certa, matemática,
Prefiro a vida, não sei o que virá,
Prefiro o caos,
O incontrolável me agrada...
De Prudêncio e Bertolo em Meu Amores...
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Lira I
Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
que viva de guardar alheio gado,
de tosco trato, de expressões grosseiro,
dos frios gelos e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal e nele assisto;
dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
das brancas ovelhinhas tiro o leite,
e mais as finas lãs, de que me visto.
Graças, Marília bela.
graças à minha Estrela!
Eu vi o meu semblante numa fonte:
dos anos inda não está cortado;
os Pastores que habitam este monte
respeitam o poder do meu cajado.
Com tal destreza toco a sanfoninha,
que inveja até me tem o próprio Alceste:
ao som dela concerto a voz celeste
nem canto letra, que não seja minha.
Graças, Marília bela.
graças à minha Estrela!
Mas tendo tantos dotes da ventura,
só apreço lhes dou, gentil Pastora,
depois que o teu afeto me segura
que queres do que tenho ser senhora.
É bom, minha Marília, é bom ser dono
de um rebanho, que cubra monte e prado;
porém, gentil Pastora, o teu agrado
vale mais que um rebanho e mais que um trono.
Graças, Marília bela.
graças à minha Estrela!
Tomaz Antônio Gonzaga em Meu Amores...
que viva de guardar alheio gado,
de tosco trato, de expressões grosseiro,
dos frios gelos e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal e nele assisto;
dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
das brancas ovelhinhas tiro o leite,
e mais as finas lãs, de que me visto.
Graças, Marília bela.
graças à minha Estrela!
Eu vi o meu semblante numa fonte:
dos anos inda não está cortado;
os Pastores que habitam este monte
respeitam o poder do meu cajado.
Com tal destreza toco a sanfoninha,
que inveja até me tem o próprio Alceste:
ao som dela concerto a voz celeste
nem canto letra, que não seja minha.
Graças, Marília bela.
graças à minha Estrela!
Mas tendo tantos dotes da ventura,
só apreço lhes dou, gentil Pastora,
depois que o teu afeto me segura
que queres do que tenho ser senhora.
É bom, minha Marília, é bom ser dono
de um rebanho, que cubra monte e prado;
porém, gentil Pastora, o teu agrado
vale mais que um rebanho e mais que um trono.
Graças, Marília bela.
graças à minha Estrela!
Tomaz Antônio Gonzaga em Meu Amores...
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Emília
Conheci Emília
no espaço
e enamorei-me dela.
Passeávamos de mãos dadas
na Via Láctea,
amando no infinito.
Demos muitas voltas de cometa
e passamos por milhões de estrelas.
Jamais tivemos a menor quizília
e é, por isso, que de madrugada
fico em vigília procurando vê-la.
Há pouco tempo nos separamos:
vim exilado para este mundo,
e Emília foi morar noutro planeta.
Noel Nascimento em Meu Amores...
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Intervum
Há muito tempo já que eu vou perdendo
Os sonhos, um a um, pelo caminho:
— Sangue dum anho ingênuo, cor de arminho,
De calvário em calvário perecendo...
No alto dum monte, a luz que eu ia vendo,
Diante de mim cantando como um ninho,
Fria beijou-me o rubro desalinho,
E atrás de mim no escuro foi descendo.
Hoje os olhos se voltam como preces
Para as memórias, em que há luas mortas,
E tu, morta, que morta não pareces!
Sobre esta alma de dúvida e agonias
Caia a luz desses olhos, dessas portas
Onde esperam o sol as almas frias...
Tristão da Cunha em Meu Amores...
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Meu amor por duas irmãs
O caminho para o lar de Genialidade é árduo,
É duro, pedregoso, longo.
A propulsão se torna irreal, ilegal,
A ou Imoral.
Genialidade sangra, Genialidade mata,
Genialidade fere, Genialidade afasta.
Nem é tão palpável,
Às vezes a própria duvida da sua existência, etérea.
Tenho em meus joelhos escaras,
Cicatrizes por todo corpo,
Feitas pela pretensão, de sê-lo.
Em possuir as damas desta poesia.
Possuo esta dama, deito-a em meu peito,
No cérebro minúsculo, que por si só,
Viveria eternamente o sendo.
A Genialidade me procura, fere.
A Genialidade se reconhece, vive,
A si própria se afasta, ou faz quimera,
Ou metamorfose, ou é parente muito próxima,
Irmã, quem sabe.
De outra dama, não tão querida.
Que atende pelo nome de Loucura...
É duro, pedregoso, longo.
A propulsão se torna irreal, ilegal,
A ou Imoral.
Genialidade sangra, Genialidade mata,
Genialidade fere, Genialidade afasta.
Nem é tão palpável,
Às vezes a própria duvida da sua existência, etérea.
Tenho em meus joelhos escaras,
Cicatrizes por todo corpo,
Feitas pela pretensão, de sê-lo.
Em possuir as damas desta poesia.
Possuo esta dama, deito-a em meu peito,
No cérebro minúsculo, que por si só,
Viveria eternamente o sendo.
A Genialidade me procura, fere.
A Genialidade se reconhece, vive,
A si própria se afasta, ou faz quimera,
Ou metamorfose, ou é parente muito próxima,
Irmã, quem sabe.
De outra dama, não tão querida.
Que atende pelo nome de Loucura...
Longe
Mas se eu tiver que ser sozinha, serei inteira
serei plácida, como o lago que espera a chuva
como a chuva que busca a manhã.
E se eu tiver que ser escura, serei grandiloquente
se tácita, valente
se árida, compreensiva, ao menos
se ainda assim severa... então liberta.
E se me perder de tudo, e até do fim...
possivelmente eu serei nova
como o verão, no céu de janeiro
como janeiro, no céu de Paris!
Seja lá onde for Paris...
Hoje, em qualquer lugar, longe daqui. Longe, longe...
Leila Krüger em Meu Amores.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Nau sem Rumo
Não preciso de cartas de navegação:
basta-me o sonho de travessias impossíveis.
Caminhar sobre a superfície do oceano,
pisando em pássaros submarinos,
tropeçando em ruínas de outras civilizações,
beijando cadáveres de náufragos,
até a definitiva conversão em água, sal e vento.
Sei que não tenho destino.
É o destino que me possui.
As correntezas traçam a rota
e as tempestades preparam o naufrágio.
O mar não precisa de caminhos,
tece na solidão as formas da morte,
enquanto o vento entoa cantos fúnebres
sobre os campos azuis do país marítimo.
O mar não precisa de navios,
precisa apenas de corpos.
José Antônio Cavalcanti em Meu Amores...
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Tenho uma poesia pura
Sou meio interiorano,
Fazendeiro, acordo de manhã.
Junto minhas reses, boiada,
Levo-as a estrada, me engano.
Noite e dia trabalho, pois é sina,
Lua e sol a labuta é estribo.
Ando à pé, meu apoio.
A estrada é de terra,
Pés, canelas, mãos de terra.
E corpo de terra, barro.
Sou vaqueiro pós-moderno,
Minhas reses são teclas pretas,
Malhadas de branco.
Minha estrada uma tela Led
Terra que não suja de terra.
Ajunto agora minha boiada,
Nas linhas "eternas" da rede
Nos três dáblios que,
De maneira nenhuma
Remontam ao sertão. ( Como poderiam?)
E ao findar a lida,
Vou entoando na mente,
Do boiadeiro a cantiga,
Cantiga pensada, e composta em "MIDI".
Mortos estão os sons
Na rede em que me deito
Esperando minha boiada passar;;;
De Prudêncio e Bertolo em Meu Amores.
Fazendeiro, acordo de manhã.
Junto minhas reses, boiada,
Levo-as a estrada, me engano.
Noite e dia trabalho, pois é sina,
Lua e sol a labuta é estribo.
Ando à pé, meu apoio.
A estrada é de terra,
Pés, canelas, mãos de terra.
E corpo de terra, barro.
Sou vaqueiro pós-moderno,
Minhas reses são teclas pretas,
Malhadas de branco.
Minha estrada uma tela Led
Terra que não suja de terra.
Ajunto agora minha boiada,
Nas linhas "eternas" da rede
Nos três dáblios que,
De maneira nenhuma
Remontam ao sertão. ( Como poderiam?)
E ao findar a lida,
Vou entoando na mente,
Do boiadeiro a cantiga,
Cantiga pensada, e composta em "MIDI".
Mortos estão os sons
Na rede em que me deito
Esperando minha boiada passar;;;
De Prudêncio e Bertolo em Meu Amores.
domingo, 8 de janeiro de 2012
Professo
Às vezes me sinto idiota, falo demais.
Às vezes inconsequente.
Às vezes sério ao extremo, moralista.
Às vezes intelectualóide, às vezes infantil.
Às vezes moderno, nem tanto, mais vezes antiquado.
Às vezes tenho opinião forte e polêmica, quase todas vezes.
Mas às vezes amo, às vezes choro, quase nunca.
Às vezes sou genial, muitas,
às vezes um imbecil, tantas quanto.
Às vezes sou louco,
outras vezes também sou excêntrico, idiossincrático.
Às vezes nem consigo me definir, vez por outra...
Mas sempre, apesar de tudo e contra tudo, se necessário, serei EU!
De Prudêncio e Bertolo em Meu Amores.
Às vezes inconsequente.
Às vezes sério ao extremo, moralista.
Às vezes intelectualóide, às vezes infantil.
Às vezes moderno, nem tanto, mais vezes antiquado.
Às vezes tenho opinião forte e polêmica, quase todas vezes.
Mas às vezes amo, às vezes choro, quase nunca.
Às vezes sou genial, muitas,
às vezes um imbecil, tantas quanto.
Às vezes sou louco,
outras vezes também sou excêntrico, idiossincrático.
Às vezes nem consigo me definir, vez por outra...
Mas sempre, apesar de tudo e contra tudo, se necessário, serei EU!
De Prudêncio e Bertolo em Meu Amores.
Escrevo ao Sentimento...
E o coração que era tão lindo, jovem.
Se torna cheio de amargura, por não perdoar.
E fere todos que estão perto, mesmo,
Quem está junto só por amar, que tem
Como Único laço o sentimento!
Assim, condena-se a si mesma.
A viver amargurada, pela escolha que fez e faz!
Talvez seja essa a herança de seus pais.
Levar nas costas os erros daqueles, se iludir,
Pensar que a vida é o que eles a ensinaram.
E o sentimento tenta mudar, mas como é difícil,
Escrever palavras legíveis em um livro já escrito,
Insiste em ter as antigas palavras.
Porém o sentimento a dá uma escolha:
A última!
Esquecer o passado, os erros dos outros,
Construir,
A própria vida, deixar de lado o irremeiável,
Pois remediado está!
Nada é novo no mundo, e assim a é a história que se repete!
Se torna cheio de amargura, por não perdoar.
E fere todos que estão perto, mesmo,
Quem está junto só por amar, que tem
Como Único laço o sentimento!
Assim, condena-se a si mesma.
A viver amargurada, pela escolha que fez e faz!
Talvez seja essa a herança de seus pais.
Levar nas costas os erros daqueles, se iludir,
Pensar que a vida é o que eles a ensinaram.
E o sentimento tenta mudar, mas como é difícil,
Escrever palavras legíveis em um livro já escrito,
Insiste em ter as antigas palavras.
Porém o sentimento a dá uma escolha:
A última!
Esquecer o passado, os erros dos outros,
Construir,
A própria vida, deixar de lado o irremeiável,
Pois remediado está!
Nada é novo no mundo, e assim a é a história que se repete!
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