segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Viúva Maldita


A medicina é assassina, daquelas cruel e feroz.
Mata no peito, no início, lá bem ao começo.
É figueira, que lhe abraça, e suga...
Suga a vida, toda linfa, toda casca, suga até raízes.
E amor que tira todo romantismo, é vida que consome.

Medicina é, para quem já conhece, esposa maldosa.
É sogra, de tão traiçoeira. Talvez cunhado.
Medicina é mãe desnaturada, que de depressão após o parto,
Se afasta do feto, o joga no lixo. No lixo.
É em si própria divina, uma divindade pagã.

Esta infeliz mata o poeta, racionaliza o sentimento.
Transforma o sagrado em pecado, é ranço maldito.
E em seu sôfrego filho, e marido, faz crescer, faz diminuir.
Medicina é escravocrata, escraviza o já liberto.
É eterna, não etérea. Não deixa o direito da escolha.

Como eu te odeio, cretina de de uma figa!
Te odeio até as entranhas, maldita. Você me mata.
Mata o poeta, mata o romântico, mata o puro.
Mata o cristão, mata o interiorano, mata o mestiço.
Babilônia, a minha alma não é tua! Imunda.

Medicina é morte. Também é vida. E morte tua. E vida minha.
Ela escolhe, ela fere e sangra.
É viúva, e viúva negra!

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