terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Nau sem Rumo


Não preciso de cartas de navegação:
basta-me o sonho de travessias impossíveis.


Caminhar sobre a superfície do oceano,
pisando em pássaros submarinos,
tropeçando em ruínas de outras civilizações,
beijando cadáveres de náufragos,
até a definitiva conversão em água, sal e vento.


Sei que não tenho destino.
É o destino que me possui.
As correntezas traçam a rota
e as tempestades preparam o naufrágio.


O mar não precisa de caminhos,
tece na solidão as formas da morte,
enquanto o vento entoa cantos fúnebres
sobre os campos azuis do país marítimo.


O mar não precisa de navios,
precisa apenas de corpos.


José Antônio Cavalcanti em Meu Amores...

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