sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Divina

Nada é tão novo, nada é tão velho.
É nova a casa, não a despedida.
Novo mundo, velha vida.
O círculo eterno, sem começo,
Sem fim.
Findo o ciclo, reinicio.

Cidade que se diz "divina",
divino conhecer, entretanto,
Cidade, que nasce, ajuda-se a nascer.
Se está lá ao momento,
Segurando no colo, a esperança.

Cidade que vive, cresce, adoece, cura-se.
É curada. E brota outra vez da vontade.
E adoece por mais uma vez, e chia, e tosse.
E assim melhora, desenvolve.

De um mesmo modo, já adulta,
Encontra conforto aos anseios,
Ao coração que falha, dói.
À mente que nem sempre só faz pensar.
Ao ar que falta, ao estômago.

E ao fim, encontra acalento, conforto,
Para o inevitável de tudo o que vive,
E entrega-se aos braços da morte,
Ou vive por mais uma vez, instantes.
E passa por fim à poeira do universo,
O corpo que nasceu, cresceu, viveu.

Na cidade "divina", de onde hoje me despeço.

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