terça-feira, 24 de junho de 2014

Não há nada pior no mundo.

Não há nada pior no mundo que o começo,
Talvez só o recomeço.
Com seus pensamentos que brotam na mente.

Cada dia é um início,
Com todas as incertezas, 
Nos levam do despertar ao repouso,
Nos cercam por todas as saídas.

Não há nada pior no mundo que a espera
Talvez só a certeza.
Com sua realidade cruel e sem alternativa.

Sei pouco o que se passa, na mente do Criador.
Nada sei realmente sobre o futuro em Suas mãos.
Apenas que temos o começo.
A primeira pedra, o primeiro passo.

E o segundo, o terceiro e todos,
Que levam ao mesmo fim. Independente do caminho. 

Não há nada pior no mundo que a própria vida.
Talvez só a morte.
Com seu infindável ciclo de recomeço, espera, certeza e incerteza. 


quarta-feira, 14 de maio de 2014


Ainda respiro, após todas as tentativas.
Consigo pensar, falar, ainda ouço.
Ainda sinto no peito tudo o que sentia.
E não sei o porquê.

Tento todos os dias, me mato.
Exsanguinado me assento na porta,
E olho para o teto e o céu.
E aguardo solenemente que ela chegue.

Ainda respiro.

Não há veneno, não há revólver,
Não há toxina que me consiga levar. 
Não há tropeço ou penhasco,
Por onde me jogue que me consiga tragar.

Lêdo engano. Me esforço e tanto e tão rapidamente
Para conseguir o que a própria vida
Já no nascimento me condenou.
Tento buscar com tolo, aquilo.
Do qual não se há opção.

E assim, ainda respiro. 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Eu andei por toda terra, em todos os caminhos.
Caminhos quais nem imaginaria.
Andei por tantas estradas,
Tantas quais que sequer contar posso.

E tudo fiz, em tudo estava buscando.
Maneira de lhe deixar à margem, num lugar qualquer.
E para abandonar sua presença.
Presença fugaz, impura, sufocante.

Cheguei vezes a correr, a voar,
Já naveguei. Usei todos os meios de transporte conhecidos.
Mas nem um trem ou carro ou avião.
Me fez fugir...

Mas que grande engano, não posso correr.
Já não posso me esconder, esquecê-la.
É impossível.
Não se foge de quem está tão perto.
De quem já fez morada dentro do peito.

Nenhuma distância é muita.
Não se separa as juntas das medulas,
E permanece vivo...

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

E passa

E enquanto o tempo passa,
a vida passa.
As estações passam,
E por elas passam dias.

Você vem, eu vou, nos encontramos.
E passam por nós sentimentos.
E ao dizer adeus,
A presença passa.

Mas a única fica,
Ela que é a saudade, nos passamos.
É companhia que não passa.
Mesmo ao estarmos juntos.

domingo, 6 de outubro de 2013

Estás a eternamente a ser noiva.
Noiva de um viajante.
Talvez corsário, que,
Para sempre pertencerá ao mar.

E a ficar eternamente, à beira,
Do porto, da rodovia, da rodoviária.
A espreita, esperançosa,
De que um dia a viagem chegue ao fim.

Condenaste a ti mesma, no momento.
Em que teus olhos azuis,
Cruzaram de relance os meus.
Algemaste-te à ausência.
À viuvez sem morte;

E o tempo passará, e como passa,
E dia após dia estarás, como sempre,
Sozinha, etérea.
E noite após noite, só verá o negro.
Talvez luz refletida em gotas.

Estás condenada a ser rainha,
Com benesses e vícios.
Porém rainha, soberana,
De um príncipe sempre em guerra.
E que na dúvida
Cruel e penetrante,
De que volte mais um dia vivo.


De Prudêncio e Bertolo em MeuAmores.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Equipos

Deixo para trás mais uma vez as agulhas,
Os equipos, os capotes, os exames.
E concomitantemente me dispo, disponho.
Voltando a me ser-me eu.

Esqueço, por um segundo, por segundo que seja,
a face horrenda da morte, que circunda,
O lugar maldito, escuro, disperso
Claro, limpo, descontaminado.

E da Divina cidade, que contemplo à janela
Espero o retorno, outrora.
Certo que nunca mais será a mesma.
O estiolamento que trazes a levará.

Neglicencio, por imperícia medonha,
O que significas, prédio de morte.
E tenho em mim, esperança,
Que nasce da vida que trazes.

Concedo a Ti, esposa cretina,
Amor eterno, consomes-me.
Mas por este mês terei amante.
Sentirei o cheiro e deliciarei-me.
Com cada letra, frase,
E tudo que intencionalmente não foi escrito.

E no silêncio em minha mente,
No arranjar das palavras,
Me deitarei, e se, estasiado, nunca acordar.
Subirei feliz, mas enrolado, abraçado, simbiótico,
No calhamaço manuscrito que faço de travesseiro.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Bacilo

E como diagnosticar tu, bacilo,
Que brotas de páginas e páginas,
Infiltra-nos peito de lágrimas.
E consome a todos esforços.

Vida vazia e medonha que és,
Que inflama e adormece, anestesia
O mais apaixonado coração.

Nos leva a amar o escarro,
Passado a cada módulo, dia.
Interna, em nós enterra.
O desejo de dissipar sua doença.

Colore, sem tinta, e em rosa e azul
Cora a face de não possuir-te.
Tu és bacilo, encontrado em meu ser.

Não há sequer tratamento,
Para tu que és feroz.
E come por dentro, apodrece,
O que de mim, resta humilde.


De Prudêncio e Bertolo em Meu Amores.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Garimpo

E pego sem inspiração, e nada
Nada inspira, nada sinto,
Assim como anestesia.
Me fogem as palavras.
Do rearranjo que sempre me estão
Na mente, e mentem.

E me sinto como um nada,
Perdendo o que me torna eu,
Que me torna humano, perfeito,
Sublime, o que me leva ao infinito.

E é nessas horas que ajoelho,
E oro, agradeço ao Criador.
Sinto que faltarão as palavras,
Faltará inspiração.
Nem sempre as palavras serão estrelas,
Que se juntam em minha cabeça para formar o universo.

Às vezes serão difícil, como a lavra,
O garimpo em que meus antepassados
Ganharam a vida, serão difíceis,
Serão profundas, terei que cavucar,
Pedras duras para trazê-las à tona.

E como que mágica, com que não consigo explicar.
Estarão neste papel e em outros.
E cada vez que ocorrer.
Estarei pensando exatamente que agora,
Cada uma dessas palavras, que foram difíceis,
Me lembrarão de que não as consegui.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

E foi.

Perdão querida, não me retorne ao passado.
Não tenho mais a timidez, o tempo tratou de levar.
Desculpe-me, não sou mais aquele, que um dia,
Inocentemente a prometeu amar...

Pus a perna no mundo, descobri, cresci.
Desci do velha árvore, pus os pés no chão,
E me preparo para voar, ao infinito.
Um dia, talvez, volte.

Os dias da vida consomem-se, findam.
E ainda que fizesse sentido voltar, não quereria.
Estou exatamente no meu lugar, e é este.
Não estou só, tenho todo amor, tenho toda paz.

Não tente retornar o que está morto.
A morte enfim, leva ao esquecimento,
Que enfim leva-nos a renascer, e como fênix,
Que das cinzas reagrupa-se, e revive.

Não me espere, me esqueça.
Não irei mais voltar.


De Prudêncio e Bertolo em Meu Amores...

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Por outra vez

Ouço o som da música,
E esta me leva dez anos no tempo.
Há dez anos não me imaginava,
Hoje ainda não imagino.
Não sou que quis ser,
Sou o que a natureza formou.
A pedra do rio que despenca
Cheia de espículas e desce o rio,
E ao final de sua jornada se arredonda.

Sou como a grama, a erva,
que é arrancada, moída, queimada.
Mas nasce outra vez,
Que é cortada frequentemente,
Mas insiste em continuar de pé.

Diga a Deus, ao Senhor do universo,
Ainda não estou pronto,
Sou um pouco arredio,
Peço mais uma volta do mundo,
Para sofrer um pouco mais,
Para chorar uma vez mais.
E insistir teimosamente em me por de pé.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Às Estrelas.

Sou um amante das estrelas,
Me tem em suas mãos,
Completamente.
São corpos sublimes, inertes.
E ao olharmos nos provam,
Provam por nosso sentido,
Sua etérea existência,
E mesmo sem necessariamente,
Ainda existir...
Estrelas são como pessoas,
Ainda existem, mesmo,
Ao deixar a terrena existência.
Estrelas são como amores, e sonhos.
Hoje sonhei que levava, você,
Para um lugar escondido, sozinhos,
Escuro e deserto.
E ao ter todo ambiente ao meu favor,
Tive primeiro vontade, e grande,
De lhe apresentar às estrelas.


De Prudêncio e Bertolo em Meu Amores

terça-feira, 5 de março de 2013

Não vale à pena pisar.

O capim não foi plantado
nem tratado,
e cresceu. É força
tudo força
que vem da força da terra.
Mas o capim está a arder
e a força que vem da terra
com a pujança da queimada
parece desaparecer.
Mas não! Basta a primeira chuvada
para o capim reviver.



Manuel Rui em Meu amores.

Do fim

Falo do fim o fato eterno. Imutável.
Enfim, que o relato abstrai.
Me sinto mais louco, e perco
O total controle das faculdades. Ao ver-te.
Torno-me perigoso, com medo.
Procuro encontrar-te na noite,
Que ao dia, receoso me escondo.
Sou poeta do escuro, negro
A contemplo no tempo que passa, aproxima.
Ilusões que cultivo quando me deparo,
Como lunático que observa, e calcula,
E novamente se esconde e persegue, e se esconde.
Face a face devoro-te em sonhos,
E reviro suas entranhas, estranho.
Falo do fim. Do fim que programei.
O dia, a hora, o lugar, a arma, o álibi.
Do crime perfeito...



De Prudêncio e Bertolo em Meu Amores.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Família


É a realidade que me fere a face,
fere com mão cruel, impiedosa.
E o leva para longe, por mais uma vez.
E deixa Mãe chorando, à garganta.

Pareceu até, os tempos de antigamente,
Em que andávamos juntos, vivíamos juntos,
Tínhamos a chance de brigar, de discutir,
E olhar torto, e esquecer tudo isso.

É a vida que leva-me, leva minha família,
E que nos afasta por uma vez mais.
Nos distancia sempre, na estrada,
Estamos sempre, juntos e separados.

Saudoso tempo, de todos juntos,
De acordar sempre atrasado,
De brigar todos os dias.
E de poder chamar isso de família.


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Divina

Nada é tão novo, nada é tão velho.
É nova a casa, não a despedida.
Novo mundo, velha vida.
O círculo eterno, sem começo,
Sem fim.
Findo o ciclo, reinicio.

Cidade que se diz "divina",
divino conhecer, entretanto,
Cidade, que nasce, ajuda-se a nascer.
Se está lá ao momento,
Segurando no colo, a esperança.

Cidade que vive, cresce, adoece, cura-se.
É curada. E brota outra vez da vontade.
E adoece por mais uma vez, e chia, e tosse.
E assim melhora, desenvolve.

De um mesmo modo, já adulta,
Encontra conforto aos anseios,
Ao coração que falha, dói.
À mente que nem sempre só faz pensar.
Ao ar que falta, ao estômago.

E ao fim, encontra acalento, conforto,
Para o inevitável de tudo o que vive,
E entrega-se aos braços da morte,
Ou vive por mais uma vez, instantes.
E passa por fim à poeira do universo,
O corpo que nasceu, cresceu, viveu.

Na cidade "divina", de onde hoje me despeço.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Foi como ver-te

E no mesmo andor inconstante,
Que andei ano após anos,
Se desequilibrou ao rever-te.
Após este tanto tempo...

É tudo diferente, ainda assim,
Tudo é igual, você é a mesma.
Pela qual chorei, sorri,
Estive em insônia, estive.

E num lampejo infeliz,
A vi sair pela mesma porta,
Da mesma forma, e meu coração
Deixou à deriva por mais uma vez.

E não pela última. Voltou;
sei que ainda na noite,
Em que me deixaste,
Deitarei, e na cama,
Hei de estar por toda a noite.
Sem conseguir sequer fechar os olhos.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Nox, noite.

E torno a escrever, a blindar-me.
Brindar. É noite, escura.
E me perco em seu cabelos negros,
Em negra pele e negros olhos.

Só tenho a me alumiar o pouco brilho
Das estrelas distantes, sufocadas, como eu.
Por meias luzes, meio luzeiros.
Que não brilham em si, não conseguiriam.
Apenas se servem.
De a beleza do brilho alheio.

Na noite tenho tanto, inspiração.
Tenho pouco luar, tão delicado.
Se esvai com a fumaça da manhã.
E leva toda poesia, sem pena, da noite.

E tento varrer da memória,
As lembranças da noite escura.
E não consigo, pois estarão, sempre
E para sempre, marcadas.
Na própria noite escura que se finda,
E recomeça.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Vesti

Despi-me de todo eu,
Para que despido possa
Ser visto, e como sou.
Encontrei após tudo.
Algo que mesmo eu não conhecia.

Encontrei um meio ser,
De meia vida, vida e meia.
De inteira solidão.
E repleto de melancolia.

E sempre sobra algo a cobrir,
De vergonhas tatuadas no mais profundo.
Quem trato, e trago.
Pois é um tanto impossível.
Demonstrar-me à nudez escondida.

Não me reconheci, não reconheço,
E prontamente, com rapidez,
Ansiosamente e tremendo de medo,
E ofegante, e aproximado ao pânico.
Juntei tudo e me vesti.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

10/11/12


Noite escura de chuva,
Intensa noite de chuva esparsa.
Espaço interno de crescente agonia.
E um adeus tão longo que dura,
Durante toda uma noite.

Madrugada calma e eterna,
Donde descansa minh'alma.
És escura como eu, 
És fria como eu.

E os acordes do violão,
Acordam os vizinhos, porém,
Acalmam a mente, me fazem.
Como música serena, em arrepios,
Leva-me à tranquilamente dormir.

Desculpem-me vizinhos,
Descuido meu, ruídos a estas horas.
É que insisto em permanecer alerta.
E retorno à minha natureza, de
Dormir apenas quando há sono.
E de não ter hora, horário.

E sinto, por entre os nervos,
E entranhas, e por baixo da pele.
E pela.
A madrugada agora é calma.


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

À inspiração


Não a tenho mais não.
Foi-se embora com o vento,
Mesmo contra o intento,
Foi-se embora inspiração.

Entreguei-a ao primeiro,
Que cruzou à minha frente.
E nem trago à minha mente,
De cruel e derradeiro.

Momento tão de imbecil
Indouto, interno, "inclaro".
Deixei-a levar tão facilmente.

Inspiração minha, e raro.
O momento em que declaradamente
fui traído, a perdi, e fácil.