sexta-feira, 28 de junho de 2013

Equipos

Deixo para trás mais uma vez as agulhas,
Os equipos, os capotes, os exames.
E concomitantemente me dispo, disponho.
Voltando a me ser-me eu.

Esqueço, por um segundo, por segundo que seja,
a face horrenda da morte, que circunda,
O lugar maldito, escuro, disperso
Claro, limpo, descontaminado.

E da Divina cidade, que contemplo à janela
Espero o retorno, outrora.
Certo que nunca mais será a mesma.
O estiolamento que trazes a levará.

Neglicencio, por imperícia medonha,
O que significas, prédio de morte.
E tenho em mim, esperança,
Que nasce da vida que trazes.

Concedo a Ti, esposa cretina,
Amor eterno, consomes-me.
Mas por este mês terei amante.
Sentirei o cheiro e deliciarei-me.
Com cada letra, frase,
E tudo que intencionalmente não foi escrito.

E no silêncio em minha mente,
No arranjar das palavras,
Me deitarei, e se, estasiado, nunca acordar.
Subirei feliz, mas enrolado, abraçado, simbiótico,
No calhamaço manuscrito que faço de travesseiro.

Nenhum comentário: