sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Drama Seco

O noivo desmanchou o casamento.
Que será da noiva – toma hábito
ou se consagra à renda de bilro para sempre?
Tranca-se ao jeito das viúvas trágicas.
O noivo fica noivo novamente,
de outra moça, em outra rua.
A noiva antiga que dirá
em seu quartinho negro, à hora em que...?
À hora em que
passar a pé
o noivo com
seu cortejo, braço dado a braço dado,
rumo da noiva nova,
diz-que da antiga casa de noivado
a água descerá, em punição.
Lá vai o cortejo
todo ressabiado,
terno noivo
terno novo
preto de medo,
vestido novo
branco de medo,
olho no medo
no céu da casa.
Todas as janelas secamente fechadas,
sequer uma lágrima

pinga na lapela do noivo.

Outra de CDA em Meu Amores...  Sequer uma lágrima pinga na lapela do noivo...


Além da Terra, Além do Céu

Além da Terra, além do Céu, 
no trampolim do sem-fim das estrelas, 
no rastro dos astros, 
na magnólia das nebulosas. 
Além, muito além do sistema solar, 
até onde alcançam o pensamento e o coração, 
vamos! 
vamos conjugar 
o verbo fundamental essencial, 
o verbo transcendente, acima das gramáticas 
e do medo e da moeda e da política, 
o verbo sempreamar, 
o verbo pluriamar, 

razão de ser e de viver.

Carlos Drummond de Andrade em Meu Amores

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Os meus sonhos 
o vento não pode levar
a esperança 
encontrei no teu olhar...

Os meus sonhos 
a areia não vai enterrar
pois a vida
Descobri ao te encontrar...

domingo, 21 de dezembro de 2008

Metade Pássaro

A mulher do fim do mundo
Dá de comer às roseiras,
Dá de beber às estátuas,
Dá de sonhar aos poetas.

A mulher do fim do mundo
Chama a luz com um assobio.
Faz a virgem virar pedra,
Cura a tempestade,
Desvia o curso dos sonhos.
Escreve cartas ao rio,
Me puxa do sono eterno
Para os seus braços que cantam.


Murilo Mendes em Meu Amores.

À dolorosa luz das lâmpadas elétricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Eu fúria fora e dentro de mim, 
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!

Fernando Pessoa in Álvaro de Campos em Meu amores

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Pés descalços

Pés descalços

  brancos, negros,

percorrem caminhos,

andam sozinhos.

Pés descalços

revelam.

Pés descalços

congelam,

a areia do tempo,

modelam,

o barro da vida.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O Momento

Quantos dias...
Quantas noites...

Ainda terei de esperar
pela beleza dos teu sorriso,
pelo calor do seu olhar.

Dias, noites,
ensolações, luares
desertos, mares.
Por todo mundo
hei de procurar-te
se preciso,
irei a Marte.
Não por impulso torpe,
apenas por amar-te.

Fico às noites,
levo comigo seu rosto,
em meu coração
ventos de agosto,
sublevam minha vontade.

Meu coração deseja voltar
à mais tenra idade,
ter feita sua vontade
e poder lhe encontrar.

Quando a verei,
certamente não o sei.
Mas com um pouco mais 
ou menos 
de desejo,
de amor,
Terei.

Espero ansiosamente, o momento.

Fiz esse poema, para uma pessoa muito especial. Espero dias e noites o momento de a encontrar...

O Romance de Tomasinho Cara Feia...

Farto de sol e de areia
Que é o mais que a terra dá,
Tomasinho Cara-Feia
vai prá pesca da baleia.
Quem sabe se tornará?

Torne ou não torne, que tem?
Vai cumprir o seu destinho.
Só nha Fortunata, a mãe,
Que é velha e não tem ninguém,
Chora pelo seu menino.

Torne ou não torne, que importa?
Vai ser igual ao avô.
Não volta a bater-me à porta;
Deixou para sempre a horta,
que a longa seca matou.

Tomasinho Cara-Feia

(outro nome, quem lho dá?),

farto de sol e de areia,

foi prá pesca da baleia.

— E nunca mais voltará!

Daniel Felipe em Meu Amores...

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A mulher que passa

Meu Deus, eu quero a mulher que passa 
Seu dorso frio é um campo de lírios 
Tem sete cores nos seus cabelos 
Sete esperanças na boca fresca! 
Oh! como és linda, mulher que passas 
Que me sacias e suplicias 
Dentro das noites, dentro dos dias! 
 


Teus sentimentos são poesia 
Teus sofrimentos, melancolia. 
Teus pelos leves são relva boa 
Fresca e macia. 
Teus belos braços são cisnes mansos 
Longe das vozes da ventania. 
 


Meu Deus, eu quero a mulher que passa! 
 


Como te adoro, mulher que passas 
Que vens e passas, que me sacias 
Dentro das noites, dentro dos dias! 
Por que me faltas, se te procuro? 
Por que me odeias quando te juro 
Que te perdia se me encontravas 
E me concontrava se te perdias? 
 


Por que não voltas, mulher que passas? 
Por que não enches a minha vida? 
Por que não voltas, mulher querida 
Sempre perdida, nunca encontrada? 
Por que não voltas à minha vida 
Para o que sofro não ser desgraça? 
 


Meu Deus, eu quero a mulher que passa! 
Eu quero-a agora, sem mais demora 
A minha amada mulher que passa! 
 


Que fica e passa, que pacífica 
Que é tanto pura como devassa 
Que bóia leve como a cortiça 
E tem raízes como a fumaça.

 


Vinícius de Moraes em Meu Amores...

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
De vivo luzir, 
Estrelas incertas, que as águas dormentes 
Do mar vão ferir;

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, 
Têm meiga expressão, 
Mais doce que a brisa, — mais doce que o nauta 
De noite cantando, — mais doce que a frauta 
Quebrando a solidão,

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, 
De vivo luzir, 
São meigos infantes, gentis, engraçados 
Brincando a sorrir.

São meigos infantes, brincando, saltando 
Em jogo infantil, 
Inquietos, travessos; — causando tormento, 
Com beijos nos pagam a dor de um momento, 
Com modo gentil.

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, 
Assim é que são; 
Às vezes luzindo, serenos, tranquilos, 
Às vezes vulcão!

Às vezes, oh! sim, derramam tão fraco, 
Tão frouxo brilhar, 
Que a mim me parece que o ar lhes falece, 
E os olhos tão meigos, que o pranto humedece 
Me fazem chorar.

Assim lindo infante, que dorme tranquilo, 
Desperta a chorar; 
E mudo e sisudo, cismando mil coisas, 
Não pensa — a pensar.

Nas almas tão puras da virgem, do infante, 
Às vezes do céu 
Cai doce harmonia duma Harpa celeste, 
Um vago desejo; e a mente se veste 
De pranto co'um véu.

Quer sejam saudades, quer sejam desejos 
Da pátria melhor; 
Eu amo seus olhos que choram em causa 
Um pranto sem dor.

Eu amo seus olhos tão negros, tão puros, 
De vivo fulgor; 
Seus olhos que exprimem tão doce harmonia, 
Que falam de amores com tanta poesia, 
Com tanto pudor.

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, 
Assim é que são; 
Eu amo esses olhos que falam de amores 

Com tanta paixão.

Gonçalves Dias em Meu Amores.  Eu amo esses olhos que falam de amores, com tanta paixão.

Poesia

Como se ama o calor e a luz querida,
A harmonia, o frescor, os sons, os céus,
Silêncio, e cores, e perfume, e vida,
Os pais e a pátria e a virtude e a Deus:

Assim eu te amo, assim; mais do que podem
Dizer-to os lábios meus, — mais do que vale
Cantar a voz do trovador cansada:
O que é belo, o que é justo, santo e grande
Amo em ti. — Por tudo quanto sofro,
Por quanto já sofri, por quanto ainda
Me resta de sofrer, por tudo eu te amo.
O que espero, cobiço, almejo, ou temo
De ti, só de ti pende: oh! nunca saibas
Com quanto amor eu te amo, e de que fonte
Tão terna, quanto amarga o vou nutrindo!
Esta oculta paixão, que mal suspeitas,
Que não vês, não supões, nem te eu revelo,
Só pode no silêncio achar consolo,

Na dor aumento, intérprete nas lágrimas

Gonçalves Dias em Meu amores...


Triste quem ama, cego quem se fia

Nascemos para amar; a humanidade
Vai tarde ou cedo aos laços da ternura.
Tu és doce atrativo, ó formosura.
Que encanta, que seduz, que persuade:

Enleia-se por gosto a liberdade;
E depois que a paixão n'alma se apura,
Alguns então lhe chamam desventura,
Chamam-lhe alguns então felicidade:

Que se abisma nas lôbregas tristezas,
Qual em suaves júbilos discorre,
Com esperanças mil na idéia acesas:

Amor ou fesfalece, ou pára, ou corre:
E, segundo as diversas naturezas.
Um porfia, este esquece, aquele morre.

Essa é umas das antigas... Manuel M. B. du Bocage em Meu amores.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Soneto

Mancebos! De mil louros triunfantes
Adornai o Moisés da mocidade,
O Anjo que nos guia da verdade
Pelos doces caminhos sempre ovantes.

Coroai de grinaldas verdejantes
Quem rompeu para a Pátria nova idade,
Guiando pelas leis sãs da amizade
Os moços do progresso sempre amantes.

Vê, Brasil, este filho que o teu nome
Sobre o mapa dos povos ilustrados
Descreve qual o forte de Vendôme.

Conhece que os Andradas e os Machados
,Que inda vivem nas asas do renome
Não morrem nestes céus abençoados;


Castro Alves em Meu Amores...

sábado, 13 de dezembro de 2008

Toda arte que eu faço

todo som entoado,

não é mais que uma vontade

de Te conhecer...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O Cabelo...

Descreve as cores,
Escreve as flores.

Todas se encontram de uma só vez
e o universo se comprime ali,
tudo quanto criado então,
uma das maravilhas da criação.

A flor que se escondia
no cabelo mais bonito
em uma mistura de tanta cor,
tranformou o cabelo na própria flor.

Luana e seu cabelo,
nem aparece mais o luar
tem agora tanta beleza
que fez a lua se apagar.

Tanta cor,
tanta beleza
que nem a própria natureza

seria capaz de criar...



terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Patrícia e Maurício...

Patrícia e Maurício,
fazem do silêncio seu mensageiro
a dois corações que por inteiro
conhecem a verdade escondida.

Pedaços de mentiras
aos poucos se completaram
fazendo verdade e
escravizando a mais fiel
lealdade.

Onde procuram um ao outro
é onde está a ausência.

Patrícia e Maurício
dois corações em um só corpo
duas almas em uma só mente
duas palavras com um só sentido.

Pobres deles
Mal sabem Patrícia e Maurício.
Mal conhecem a verdade,
que só o tempo pode escrever...

O Amor da minha vida...

Que o Amor da minha vida
não seja uma linda mulher
mas haja o que houver
me leve em seu coração.
Que não pense sempre em mim
que não sinta algo por mim
apenas pense, apenas sinta.
Que o Amor da minha vida
não tenha muito dinheiro
apenas compre com beijos
meu amor e minha vida.
Que o amor da minha vida
possa ser meu esteio
minha coluna, meu veio
minha volta e minha ida.
Que seja menos meu amor
e mais a minha vida.
E enfim
que o meu amor seja minha vida
e minha vida seja meu amor...


O que uma pessoa não pensa em uma longa viagem...

Receita de acordar palavras...

Palavras são como estrelas
Facas ou flores
Elas tem raízes pétalas espinhos
São lisas ásperas leves ou densas
Para acordá-las basta um sopro
Em sua alma
E como pássaros
Vão encontrar seu caminho...


Roseane Murray em Meu Amores...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Recordo Ainda

Recordo ainda... e nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...

Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...

Estrada afora após segui... Mas, aí,
Embora idade e senso eu aparente
Não vos iludais o velho que aqui vai:

Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai!...
Que envelheceu, um dia, de repente!...


Mário Quintana em Meu Amores...

A um poeta...

Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha e teima, e lima , e sofre, e sua!

Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço: e trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua
Rica mas sóbria, como um templo grego

Não se mostre na fábrica o suplicio
Do mestre. E natural, o efeito agrade
Sem lembrar os andaimes do edifício:

Porque a Beleza, gêmea da Verdade
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.


Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac em Meu amores...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Mais um soneto.

Meu, seu, nosso,
sonho reinventado
por poeta desalmado.
Que nem descrever posso.

Dias sem fim,
noites de igual sabor,
Provas antigas de amor,
Regadas a outro sim.

Não te amo sei,
mas não me desproponho
Pelo contrário "proponho".

Quando tudo de desfaz
apenas o outro faz,
cantigas de amor em sonho.


Depois de muito tempo, outro soneto de minha autoria...

Agora (Não) Professo.

Agora não professo
nem sussurro ao vento
os segredos que reinvento,
remo na transumância dos dias.
O sonho, esse discípulo
da noite dissipada,
inspira-me à peregrinação.
Agora não tenho fronteiras,
mas quando o exílio da memória
me retém o espelho dos dias
ao sentido original das coisas
regresso, porque é necessário
ser contemporâneo do tempo.
Agora, sim, professo:
viver e abraçar os rumores do presente.

Armando Artur em Meu amores...

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Um

Olho para os céus
De lá vem o meu socorro
Pai da eternidade
Me mostra o que é o amor
Amor perfeito e justo
Que sempre me espera

Esse é o som,
Esse é o som que rompe os céus!

O amor de Deus nos faz Um,
Nos faz Um com Ele.
Tudo o que eu fizer
De fé ou esperança
Se não estiver no amor
Não irá permanecer, não
Embora seja grande
Não é obra eterna

Esse é o dom,
Esse é o dom que durará para sempre!

O amor de Deus nos faz Um,
Nos faz Um com Ele.

Palavrantiga em Meu Amores...

Canção para o amigo dormindo.

O pranto no rosto triste
enevoou teu sorriso
maltratou o teu silêncio
navegou no teu mar alto.

Pressentidos, os mistérios
foram todos desvendados
nos escaninhos da ofensa
que a vida inteira guardaste
como troféu, como glória,
como porto mais seguro
no berço da solidão.

E a morte bebeu-te inteiro -
flor consumida de arrimos
ao segredo de teu rumo -
foste chamado à resposta.

E eis que te busco e desvelo
nesse mirar de exilado:
trago boninas, de leve,
e um beijo puro aos teus dedos
que transitaram poemas.

Ymah Théres em Meu Amores...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Eu te amo mais que a vida...

Amor que foi escrito nas estrelas...

No fim do universo,
encontra-se o infinito.
Banhado pelo "Mar da Tranquilidade".
Navegando com a "Vela"
e a "Carina" voltada
em direção ao vento solar,
ou nas asas do "Pégaso"
pretendo minha "Virgem" encontrar.

Nas correntes de "Andrômeda"
ou na jaula do "Leão"
meu coração não teme,
pois tem alma de "Caçador".

Vou pedir "Pintor" desse infinito
vou orar em seu "Altar"
pedir para que lhe traga até mim.

Somos almas "Gêmeas"
Nos queremos como
a "Ursa" quer o mel,
nos amamos como um "Escultor"
ama a sua obra de mais valor...

Voce é meu quadro
Eu sou o "Pintor"
Está escrito nas estrelas
que iremos morrer de amor...

E renascer...

Pois nosso amor é uma "Fênix".








segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Casebre

Foi a estiagem


E o silêncio depois.


Nem sinal de planta
nem restos de árvore
no cenário ressequido
da planície:

O casebre apenas
de pedra solta
e uma lembrança aflitiva.

O teto de palha
levou-o
a fúria do sueste.

Sem batentes
as portas e as janelas
ficaram escancaradas
para aquela desolação.

Foi a estiagem que passou.

Nestes tempos
não tem descanso
a padiola mortuária
da regedoria.

Levou primeiro
o corpo mirrado da mulher
com o filho nu ao lado
de barriga inchada
que se diria
que foi de fartura que morreu.
O homem depois
com os olhos parados
abertos ainda.

Tão silenciosa a tragédia das secas nestas ilhas!
Nem gritos nem alarme
— somente o jeito passivo de morrer!

No quintal do casebre
três pedras juntas
três pedras queimadas
que há muito não serviram.

E o arco de ferro do menino
com a vareta ainda presa.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Não Passou

Passou?
Minúsculas eternidades
deglutidas por mínimos relógios
ressoam na mente cavernosa.

Não, ninguém morreu, ninguém foi infeliz.
A mão- a tua mão, nossas mãos-
rugosas, têm o antigo calor
de quando éramos vivos.

Éramos?
Hoje somos mais vivos do que nunca.
Mentira, estarmos sós.
Nada, que eu sinta, passa realmente.
É tudo ilusão de ter passado.


Carlos Drummond de Andrade em Meu Amores....

Poema

Na espuma verde
do mar
desenharei o teu nome,

Em cada
areia da praia
em cada
pólen da flor
em cada
gota do orvalho
o teu nome
deixarei gravado

No protesto calado
de cada homem ultrajado
em cada insulto
em cada folha caída
em cada boca faminta
hei de escrever o teu nome

Nos seis férteis
das virgens
nos sorrisos perenes
das mães
nos dedos dos namorados
no embrião da semente
na luz irreal das estrelas
nos limites do tempo
hei de uma esperança semear.

Antônio Mendes Cardoso em Meu Amores...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Testamento para o dia claro.

Quando do fundo da noite vier o eco da última palavra submissa
E a patina do tempo cobrir a moldura do herói derradeiro,

Quando o fumo do último ovo de cianeto
Se dissipar na atmosfera de gases rarefeitos
E a chama da vela da esperança
Se acender em sol na madrugada do novo dia

Quando só restar na franja da memória
Lapidada pelo buril dos tempos ácidos
A estria da amargura inconseqüente
E a palavra da boca dos profetas
Não ricochetear no muro do concreto
Da negrura sem fundo de um poço submerso

Sejais vós ao menos infância renovada da minha vida
A colher uma a uma as pétalas dispersas
Da grinalda dos sonhos interditos.

Desnecessária explicação.

Que importa a melodia,
se acaso aos outros dou,
com pávida alegria,
o pouco que me sou?

Que importa ao que me sabe
estar só no meu caminho,
se dentro de mim cabe
a glória de ir sozinho?

Que importa a vã ternura
das horas magoadas,
se ao meu redor perdura
o eco das passadas?

Que importa a solidão
e o não saber onde ir,
se tudo, ao coração,
nos fala de partir?


Daniel Felipe em Meu Amores.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Canção dos Rapazes da Ilha.

Essa poesia é uma coisa linda. Geralmente nunca digo isso. O poeta é de Cabo Verde, uma ilhazinha no Atlântico. Por isso me tocou tanto. Eu cresci em uma ilha, em uma cidade do interior de Minas Gerais, cercada pela represa de Três Marias. Por muito tempo, eu era quem ficava e o sonho ia, por quantas vezes isso aconteceu, meus sonhos foram e eu fiquei. Entendo o que ele dizia...

Poesia de Aguinaldo Fonseca, Poeta de Cabo Verde.




Eu sei que fico.
Mas o meu sonho irá
Levado pelo vento, pelas nuvens, pelas asas.

Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá ...
Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá Nos frutos, nos colares
E nas fotografias da terra,
Comprados por turistas estrangeiros
Felizes e sorridentes.
Eu sei que fico mas o meu sonho irá ...

Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá
Metido na garrafa bem rolhada
Que um dia hei de atirar ao mar.

Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá ...

Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá
Nos veleiros que desenho na parede.

O último...

O último véu que se rasga
a última tábua que se quebra,
o último sol que se apaga,
A última planta que se rega.

O último fogo
a última brisa
o último olhar
a última folha que cai.

Eis que o inverno,
eis que o verão
eis que a primavera
não é mais uma estação.

E tudo se finda
assim como começa
o fôlego sempre acaba,
enquanto estamos com pressa.

Devagar se vai ao longe,
mas cansamos de esperar
e enquanto mais nos apressamos,
fazemos tudo acabar.

A vida deve ser vivida com calma,
e com tudo ao seu tempo,
pois a pressa em demasia
é correr atrás do vento.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Fidelidade

Eu sou fiel a Mim,
espero pacientemente
que Mim seja tão fiel a Eu.

Enquanto Eu me esforço
a ser fiel a Mim
Mim insiste em não ser
fiel.

Complicado! Mas esplico:

Mim sou Eu,
Eu sou Mim,
Faço tudo para
que eu seja fiel a mim.
Para que faça aquilo que acredito
ser certo para minha vida.
Mas eu mesmo insisto em errar,
em tentar de novo.
O grande segredo: Errar,
mas insistir ao máximo.
Para que o Mim seja fiel ao Eu.

Assim insistirei,
serei fiel a mim

esperando que mim
seja fiel a eu
Por toda minha vida.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Aniversário

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...



Fernando Pessoa in Álvaro de Campos em Meu Amores...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Uma vida e três meias...

Três Adultos e uma criança,
me disseram três vidas e meia.
Pensei um dia inteiro
e vi:
Quando pensamos que são,
três vidas e meia, erramos.
Na verdade são um vida
e três meias.
Crianças não têm preconceitos
amam incondicionalmente,
porque ainda não sabem o que é o amor.
Não pensam, pelo contrário sentem
aprendem sentindo o que não
conseguimos aprender pensando.
Ser como crianças,
aprender com os erros, mas tentando.
Que possamos ser
adultos no corpo
e crianças no coração.
Ouçamos o som da melodia
que sobe até os céus...
Que sai diretamente
de nossos corações aprisionados...

O homem pássaro

O número sagrado desta casa,
a que dentre as ruínas se refez,
tu o tens permanente, sem talvez,
em cada coisa agora funda e rasa.

Projetam-te num vôo duas asas...
Um fogo se levanta da nudez
deste homem-pássaro, que tudo fez
incendiar, que tudo fez em brasas!

Num vasto céu de sombras e de luzes,
eis que uma estrela surge deste anelo.
Em teu corpo morada, em teu castelo,

às cinzas da hora morta a que reduzes,
no limiar da forma, a flor e a pedra,
o número-raiz perdura - e medra.


Sérgio Valladares em Meu Amores...

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Ah, quanta vez, na hora suave
Em que me esqueço,
Vejo passar um vôo de ave
E me entristeço!

Por que é ligeiro, leve, certo
No ar de amavio?
Por que vai sob o céu aberto
Sem um desvio?

Por que ter asas simboliza
A liberdade
Que a vida nega e a alma precisa?
Sei que me invade

Um horror de me ter que cobre
Como uma cheia
Meu coração, e entorna sobre
Minh'alma alheia

Um desejo, não de ser ave,
Mas de poder
Ter não sei quê do vôo suave
Dentro em meu ser.



Fernando Pessoa em Meu Amores...
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.


Fernando Pessoa, in Ricardo Reis.

Ai! Se sêsse!

Ai! Se sêsse! Cordel de Zé da Luz...


Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dois se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
e tu cum insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o buxo do céu furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!!!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Meu Tempo...

Sinto que a hora chega,
e que meu tempo se acaba
minha alma negra
do meu espírito se separa.

Fiz pouco, trabalhei pouco
estudei pouco, vivi pouco.
Mas a vida que em mim se finda
foi inteira para você.

Nos últimos momentos
tudo que não tinha valor
passa a ter
e tudo que eu valorizava
a perder
todo o esforço que fiz
para as conseguir...

Tive tempo, amei, sorri
chorei...
Chorei...
Fiz menos do que gostaria,
mas exatamente o que deveria ter feito,
para o propósito maior de nossas vidas.

Não prezei o sucesso,
não vivi de aparências
não fui aparentemente feliz.

Não me casei, não tive filhos,
não escrevi um livro.
Apenas fui eu mesmo e tentei,
fazer a coisa certa,
a viver para a eternidade,
eternidade que agora me chama.

Deus a ti entrego o meu espírito
a minha alma,
o meu corpo,
corpo que a terra há de expiar
espírito de vida que voltará a Ti,
Alma que terá seu julgamento.

Não fui o melhor,
não cheguei nem perto disso,
mas cumpri o meu propósito
e vou a Ti,
esperando dos que aqui ficam,
que álguem chore por mim.


Emanuel Miranda, 01/10/2008.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Mulheres Negras...

O primeiro ferro marca
a violência nas costas
Depois o ferro alisa
A vergonha nos cabelos
Na verdade o que se precisa
É jogar o ferro fora
É quebrar todos os elos
Dessa corrente de desesperos.




Cuti em Meu amores...

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Eu escrevi um poema triste...

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!


Mário Quintana em Meu Amores

O Big Bang e a "Evolução do Universo"

P: Do que o nosso universo evoluiu?
R: Nosso universo evoluiu de um mini-universo muito menor e muito mais vazio. Você pode pensar nele como se fosse um ovo.

P: Como era parecido o universo muito menor e muito mais vazio?
R: Era uma esfera quadridimensional com quase nada dentro. Você pode pensar que isso seja estranho.

P. Como pode uma esfera ter quatro dimensões?
R: Uma esfera pode ter quatro dimensões se tiver outra dimensão além de uma esfera tridimensional. Você pode pensar que isso seja óbvio.

P: O universo muito menor e muito mais vazio tem um nome?
R: O universo muito menor e muito mais vazio é chamado de “universo de Sitter”. Você pode pensar nisso como já sendo a hora de alguém prestar atenção a de Sitter.

P: Há mais alguma coisa que eu deva saber sobre o universo muito menor e muito mais vazio?
R: Sim. Ele representa uma solução às equações de campo de Einstein. Você pode pensar que isso seja boa coisa.

P: Onde estava aquele universo ou ovo muito menor e muito mais vazio?
R: Estava no lugar do espaço como nós conhecemos o espaço e que não existia. Você pode pensar nisso como se fosse um saco.

P. Quando ele estava lá?
R: Ele estava lá no tempo quando o tempo como nós conhecemos não existia. Você pode pensar nisso como sendo um mistério.

P: De onde veio o ovo?
R: O ovo, na verdade, não veio de lugar nenhum. Você pode pensar nisso como sendo algo surpreendente.

P: Se o ovo não veio de lugar nenhum, como é que ele chegou lá?
R: O ovo chegou lá porque a função da onda do universo disse que era provável. Você pode pensar nisso como sendo um acordo feito.

P: Como o nosso universo evoluiu de um ovo?
R: Ele evoluiu por inflacionar-se deste saco a fim de se tornar o universo onde nós nos encontramos. Você pode pensar nisso como sendo apenas uma dessas coisas.



Extraído do Livro "The Devil's Delusion" (A ilusão do Diabo) de David Berlinski.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A coisa mais linda que existe

Sem você
já não sei
o que é viver
nem pra onde ir
como sorrir
se é tudo em vão
sonhar
um mundo sem razão pra girar
em torno de um sol
que guardou sua luz
pra chorar
chovendo no mar
onde há um verão se você está
Eu te quis
desde o instante
em que te ví
foi revelação
quando a gente então
se abraçou
selou
a primavera plena de cor
das cinzas do inverno em meu peito
você despertou
a chama de um novo olhar


A coisa mais linda que existe é te ver feliz
te sentir
realizar todo desejo em mim
Sorte é esquecer o que se sofreu
o que passou valeu
preparou pra que este momento chegasse , enfim

Vem depressa
que o tempo aqui parou
só pra esperar
você voltar pros meus braços ...
Nada pode separar
quem foi feito pra trilhar
sempre junto cada passo ...

14 anos

Um compositor de quem gosto muito é Guilherme Arantes... Deve ser porque quando criança me aventurei como pianista. A história é um pouco longa, mas o final é triste: abandonei o piano... Fazia pouco barulho. Preferi a Bateria... ahuahuahuah
Mas o gosto por Pianistas ficou, por isso, vão duas postagens de Guilherme Arantes em Meu Amores;;;




Sabe
quando eu tinha 14 anos
como todos jovens urbanos
eu nos bailes não ía dançar


Sabe
eu me cansava de ver manequins
belas moças não eram p'ra mim
eram coisas de filme de amor


E como solução da minha dor
achei que eu devia ser cantor
garotas e carros, roupas da moda
festas incríveis da mais alta roda,
nada...
nada, nada, nada.
Sabe
quando eu tinha 14 anos
os meus pais demoliam meus planos
nos argumentos levavam vantagem
com fatos cruéis
Sabe
eu devorava as vitrines das ruas
e as revistas de mulheres nuas
brinquedos feito p'ra não se tocar
e, talvez ,
como solução da minha dor...

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Salve-me.

Dos meus altos medos,
dos meus incontáveis sonhos
dos meus grandes planos
peço que alguém me salve.

Salve-me de mim mesmo,
da minha mania de possuir
dos meus olhares cegos
das minhas palavras mudas.

Alguém me salve
de tanto te querer,
de me trair contigo,
de tanto amar você.

Tento ser livre,
livre do meu ser
espero que me salves
desse meu mundo,
dessa minha mania
desse meu coração
me salve de mim...



Até que enfim outra vez... EmanueL Miranda em meus amores... rs

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

À sua mulher antes de casar

Discreta, e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos, e boca o Sol, e o dia:

Enquanto com gentil descortesia
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança voadora,
Quando vem passear-te pela fria:

Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trota a toda ligeireza,
E imprime em toda a flor sua pisada.

Oh, não aguardes, que a madura idade
Te converta em flor, essa beleza
Em terra, em cinza, em pó, em sobra, em nada.


Gregório de Matos em Meu Amores...

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Meu Amores, apenas Minhas Poesias...

Atendendo a pedidos, fiz um blog apenas com poesias de minha autoria...

Confiram...

Meu Amores, nova vida, nova inspiração...
Agora apenas com poesias de minha autoria...


Mew Amores, por Emanuel...

Meu Sonho

Eu
Cavaleiro das armas escuras,
Onde vais pelas trevas impuras
Com a espada sangüenta na mão?
Por que brilham teus olhos ardentes
E gemidos nos lábios frementes
Vertem fogo do teu coração?

Cavaleiro, quem és? o remorso?
Do corcel te debruças no dorso.
E galopas do vale através.
Oh! da estrada acordando as poeiras
Não escutas gritar as caveiras
E morder-te o fantasma nos pés?

Onde vais pelas trevas impuras,
Cavaleiro das armas escuras,
Macilento qual morto na tumba?.
Tu escutas. Na longa montanha
Um tropel teu galope acompanha?
E um clamor de vingança retumba?

Cavaleiro, quem és? - que mistério,
Quem te força da morte no império
Pela noite assombrada a vagar?



Álvares de Azevedo em Meu Amores...

domingo, 7 de setembro de 2008

Te Encontrar...

A história dessa postagem é bastante incomum. Já há algum tempo que eu não comprava um cd, e meu irmão "ninja" como sempre não me deu presente, falou que não sabia escolher e me deu o dinheiro para comprar. Foi quando eu comprei o dito cd. (Nem é mais da nossa época essa mídia, poderia ter baixado o cd gratuitamente, mas como é a uma das bandas que eu mais gosto nesse mundo eu comprei.)
O mais engraçado que eu como fã, nunca havia escutado essa música, que tocou profundamente meu coração.
E aí...

Banda Resgate em Meu Amores...


Eu tava quase chegando no chão
E o pára-quedas reserva se abriu
Depois de mil tentativas em vão
Desfibrilaram o meu coração

Eu engoli quase um oceano
Veio uma tábua boiando no mar
Perdido na superfície da lua
Eu encontrei uma sonda lunar

Foi a loucura que eu nunca pensei
Foi a surpresa que eu sempre esperei
Te encontrar foi mais que nascer
Foi matar o mal que tentou me vencer
E tudo que eu quero é, Jesus,
Teu amor,
Nada mais

E quando um dia eu caí no Saara
Eu tive um pão pra me alimentar
Enquanto o sol escaldante atacava
Veio uma rocha pra me saciar

Foi a loucura que eu nunca pensei
Foi a surpresa que eu sempre esperei
Te encontrar foi mais que nascer
Foi matar o mal que tentou me vencer
E tudo que eu quero é, Jesus,
Teu amor,
Nada mais

sábado, 6 de setembro de 2008

Giving it Away

By the way you brought me here,
it makes me believe
the best is still yet to come
and I don't want to leave.
Forgive my hesitation- oh, but I'm learning to trust in you.
Help me to dream these dreams because I don't have a clue.

If you'd be honest and say what you mean
you know I would promise I'd do anything
because I know that without you I'm giving it away.

Is this what you wanted?
Cause I'm willing to change.
Now that I'm certain,
that there's much more to gain.
You've introduced me to the moment
but I'm looking to stay for good.
You've asked me to stay forever.
Well, you know that I would, I would do anything.

The nights are forever and maybe I'm wrong,
but it feels like I'm so lost without you.
So I step towards the heat, it's the way I can see,
and it makes me believe that it's you.



The nights are forever,
I can't get to sleep cause I know there's a reason.
I'm in this too deep
and I'm sure that without you,
I'm giving it away. Yeah.

Giving it away...

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Assombros



Às vezes, pequenos grandes terremotos
ocorrem do lado esquerdo do meu peito.

Fora, não se dão conta os desatentos.

Entre a aorta e a escápula rolam
alquebrados sentimentos.

Entre as vértebras e as costelas
há vários esmagamentos.

Os mais íntimos
já me viram remexendo escombros.
Em mim há algo imóvel e soterrado
em permanente assombro.



Affonso Romano de Sant'Anna (Lado Esquerdo do Meu Peito) em Meu Amores...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

As Duas Flores

São duas flores unidas,
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
Das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bom como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rodas da vida,
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!


Castro Alves em Meu Amores...

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

A traça...

Lembre-se que todas as vezes
que eu disser que te amo
entrelaçar-se-ão
meu mundo ao seu.

Como a pinha e o pinheiro
como a relva e o outeiro
como a criança e o sorriso
como Deus e o paraíso.

Meu coração será teu
assim como teu sorriso meu,
meu pés correrão a você
e agora já sei o porquê.

Eu não te amo sei,
mas não pense que te engano
é meu coração rebelde,
apenas um coração humano.

Tantos amores tive
mas não um como o seu
amor que temo tando
que seja como é o meu.

Amo uma pessoa
que de certo não é você,
mas meu coração aberto
não se esquece de te querer.

E assim tenho dito
tudo quanto me corrói,
como uma traça maldita,
que me espanca, humilha e destrói...
Aqui eu te amo.
Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento.
Fosforece a lua sobre as águas errantes.
Andam dias iguais a perseguir-se.

Descinge-se a névoa em dançantes figuras.
Uma gaivota de prata se desprende do ocaso.
As vezes uma vela. Altas, altas, estrelas.

Ou a cruz negra de um barco.
Só.
As vezes amanheço, e minha alma está úmida.
Soa, ressoa o mar distante.
Isto é um porto.
Aqui eu te amo.

Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte.
Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas.
As vezes vão meus beijos nesses barcos solenes,
que correm pelo mar rumo a onde não chegam.

Já me creio esquecido como estas velha âncoras.
São mais tristes os portos ao atracar da tarde.
Cansa-se minha vida inutilmente faminta..
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.

Meu tédio mede forças com os lentos crepúsculos.
Mas a noite enche e começa a cantar-me.
A lua faz girar sua arruela de sonho.

Olham-me com teus olhos as estrelas maiores.
E como eu te amo, os pinheiros no vento,
querem cantar o teu nome, com suas folhas de cobre.




Pablo Neruda

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Astronauta

Os meus pés estão no chão
E a cabeça nas alturas
Nos meus tímpanos ainda soa Tua voz
Inesquecível como o verbo
Que não dá pra se apagar
Foi escrito aqui por dentro pra se eternizar
E não vai sair, e nem acabar
E a gravidade disso aqui não vai me segurar

Os meus pés estão no chão
E a cabeça lá no espaço
Sou satélite na órbita do Teu amor
E eu me sinto um astronauta flutuando na galáxia
Giro no Teu universo eu vivo acima do céu
E não vou sair, e nem me acabar
E a gravidade disso aqui não vai me segurar

Não importa se meus pés...
Se a cabeça é nas alturas
Não importa se o meu chão
Se eu vivo acima

Os meus pés estão na Terra
E a cabeça lá nas nuvens
No deserto o Teu cuidado paira sobre mim
Mesmo sem um telescópio, a capturar a tua luz
Despejá-la nos meus olhos
Plantá-la dentro de mim
E não vai sair, e nem acabar
E a gravidade disso aqui não vai me segurar

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Ausência


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.



Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Meu amores... Nova vida nova Inspiração


Meu amores completa cinco meses de existência. Obrigado a todos vocês leitores, que de uma forma ou de outra tem me incentivado. Obrigado por darem ouvidos a esta voz que fala, enquanto todas as outras se corromperam ou se calaram.

Continuemos românticos, mesmo que tudo em nossa volta tente sufocar nosso amor...


Eu, não vou mudar não...
Eu vou ficar são,
mesmo se for só
Não vou mudar...


Obrigado a todos vocês...


ps: Meu Amores é uma idéia original, que tive um dia, como que um insight. Se tenho nova vida, porque não posso ter nova inspiração? Assim surgiria Meu Amores dia 21 de Março de 2008.

"Nova vida, nova inspiração."

Gosto quando te calas...

Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.

Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.

Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.



Pablo Neruda em Meu Amores...

sábado, 16 de agosto de 2008

Obrigado...

Obrigado Senhor... Por mais esse ano de vida...
Obrigado pelas oportunidades que aproveitei...
E pelas oportunidades que desprezei...
Obrigado pela minha família...
Obrigado pelos meus amigos...
Obrigado até pela Talita,
Que o Senhor tem me ensinado a aguentar...

Valeu por tudo meu Deus,
pelos meus dons e talentos,
por todos a minha volta,
que me completam onde preciso,
e suplantam minhas falhas...

Obrigado pelo Senhor Existir
por estar aqui...
por me sustentar...

Obrigado Senhor... Tu és meu melhor amigo...

Valeuuuuuu!!!!

17 de Agosto, Meu aniversário...

Mais um ano se passou
E eu me econtro aqui, do mesmo jeito.
Mas a vida continua,
Toda causa tem o seu efeito...


Eu olho em volta e só vejo pegadas
Caminhando por todas as estradas
Sem sequer ouvir a sua voz
O vento faz eu lembrar você
As folhas caem mortas como eu.


Estou envelhecendo,
ficando velho e chato...
Porque não sei onde você está.
Te procuro mas não consigo te achar...

Meu aniversário, Vinte e um anos,
nem percebi de tão rápido que passou
mas assim são nossas vidas não é
como um fogo que se acende,
e logo quando se percebe...
Apagou...

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A Esperança...

A Esperança não murcha, ela não cansa,
Também como ela não sucumbe a Crença.
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.

Muita gente infeliz assim não pensa;
No entanto o mundo é uma ilusão completa,
E não é a Esperança por sentença
Este laço que ao mundo nos manieta?

Mocidade, portanto, ergue o teu grito,
Sirva-te a crença de fanal bendito,
Salve-te a glória no futuro - avança!

E eu, que vivo atrelado ao desalento,
Também espero o fim do meu tormento,
Na voz da morte a me bradar: descansa!



Augusto dos Anjos em Meu Amores...

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Solitário...

Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos,um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!

Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos conforta...
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí,como quem tudo repele,
-Velho caixão a carregar detroços-

Levando apenas na tumbal carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!



Augusto dos Anjos em Meu Amores...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Traduzindo-se


Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?




Ferreira Gullar

domingo, 10 de agosto de 2008

Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.



Pablo Neruda em Meu Amores...

Acontece

Bateram à minha porta em 6 de agosto,
aí não havia ninguém
e ninguém entrou, sentou-se numa cadeira
e transcorreu comigo, ninguém.

Nunca me esquecerei daquela ausência
que entrava como Pedro por sua causa
e me satisfazia com o não ser,
com um vazio aberto a tudo.

Ninguém me interrogou sem dizer nada
e contestei sem ver e sem falar.

Que entrevista espaçosa e especial!


Pablo Neruda em Meu Amores...

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A Obsessão do Sangue

Acordou, vendo sangue... - Horrível! O osso
Frontal em fogo... Ia talvez morrer,
Disse. olhou-se no espelho. Era tão moço,
Ah! certamente não podia ser!

Levantou-se. E eis que viu, antes do almoço,
Na mão dos açougueiros, a escorrer
Fita rubra de sangue muito grosso,
A carne que ele havia de comer!

No inferno da visão alucinada,
Viu montanhas de sangue enchendo a estrada,
Viu vísceras vermelhas pelo chão ...

E amou, com um berro bárbaro de gozo,
O monocromatismo monstruoso
Daquela universal vermelhidão!



Augusto do Anjos em Meu Amores...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Quem sabe assim...

Ser-me ei livre de mim,
Quando de olhos cerrados
a noite não findar
e os meus sonhos, desejos
e medos o tempo levar.

Não serei mais eu,
quem a tua face verá.
Todo o meu amor
jamais findará,
mas meu corpo inerte
não mais o demonstrará.

Ver-te-ei não mais
Sentir-te ei não mais
Amarte-te ei não mais.
Viverei não mais.

Quem sabe assim eu seja feliz...





Não sei porque, mas esses dias ando sendo muito inspirado pelo ultra-romantismo. Deve ser a TPM. kkkkkkkkkkkkkkkk. Voltando à seriedade, os últimos dias tem sido os mais ultra-românticos da minha vida, e assim sendo, não consigo explicar o porquê.
Mas fica a poesia, que escrevi na aula de endodontia dessa terça feira.

Nova vida, nova inspiração...

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Na Volta... Ah! Os Relógios

Olááááá!!! Leitores de Meu Amores... Desculpem-me o tempo sem postagens, é que devido à volta às aulas da minha Universidade, não pude acessar. Mas agora, diretamente de Itaúna MG, está no ar mais uma vez o nosso blog...

E para comemorar, um autor inédito... Mário Quintana...


Ah! Os Relógios


Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...

quinta-feira, 31 de julho de 2008

O Poço

Como última poesia de Meu Amores do mês de julho, escolhi um autor que conheci recentemente. Muito bom por sinal. Nova vida, nova inspiração...

O Poço


Pablo Neruda

Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.

O "Adeus" de Teresa

Faltava mais um mestre em Meu Amores...

Com Vocês, Castro Alves. Espero que gostem.


A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus
E amamos juntos E depois na sala
"Adeus" eu disse-lhe a tremer co'a fala

E ela, corando, murmurou-me: "adeus."

Uma noite entreabriu-se um reposteiro. . .
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus
Era eu Era a pálida Teresa!
"Adeus" lhe disse conservando-a presa

E ela entre beijos murmurou-me: "adeus!"

Passaram tempos séculos de delírio
Prazeres divinais gozos do Empíreo
... Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse - "Voltarei! descansa!. . . "
Ela, chorando mais que uma criança,

Ela em soluços murmurou-me: "adeus!"

Quando voltei era o palácio em festa!
E a voz d'Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! Ela me olhou branca surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!

E ela arquejando murmurou-me: "adeus!"

terça-feira, 29 de julho de 2008

Olimpíadas 2008 China.

Na próxima quinta-feira, dia 1º de agosto, iniciamos a campanha de uma semana de oração pela China, antes do início da Olimpíada. No dia 8, quando terá início a competição esportiva, faremos um jejum de 24 horas por todos aqueles que estão presos por causa da fé em Jesus e para que a liberdade religiosa que existe em algumas localidades possa se estender de fato por todo o país. No site do Ministério Underground encontram-se os pedidos diários de oração...


FAÇA PARTE, DIVULGUE, ORE, ENCORAGE, DOE, VÁ;;;

Tudo que tenho

Isso é tudo que tenho...

20 anos...

Nenhuma casa...
Nenhum carro...
Nada de Dinheiro...
Nada de Parentes Importantes...

Não sou gênio...
Muito menos inteligente...
A beleza passou longe...
Não sou simpático...

Sou caipira, vim do interior
Meu coração ainda está lá.
Carrego comigo Dois reais,
Que no próximo ônibus se acabarão.

Não sou alto,
Não tenho olhos azuis.
Não sou loiro.
Não tenho posses.

Nenhuma casa...
Nenhum carro...
Nada de Dinheiro...
Nada de Parentes Importantes...

Tudo que trago comigo é isso,
isso aqui.
É tudo que tenho
e o que me faz existir.

Não é de se estranhar
que você não esteja vendo
aquilo que me faz viver.
Mas é simples,
é porque não pode se ver.
Está do lado de dentro,
onde eu mesmo não posso ir,
É tudo que tenho
e o que me faz existir...

Você é tudo

Você é tudo
Que eu poderia querer
Que eu poderia precisar
Se eu pudesse ver
O quanto Você me quer
Então poderia eu acreditar
Perfeitamente que Você é
Tudo o que eu quero
E tudo o que eu preciso
Se eu pudesse apenas sentir Teu toque
Eu poderia ser livre

Por que fazes brilhar assim?
Pode um homem cego ver?
Por que chama?
Por que chama à mim?
Pode o surdo ouvir Tua voz de amor?
Podes me fazer voltar?
Pode o coxo andar?
Você pode fazer isso?

Para me tirar de onde estou
Toque meus lábios e então eu cantarei
Cure meu corpo então alegremente eu irei até a Ti

Você é Tudo
Que eu poderia querer
Que eu poderia precisar
E se eu pudesse apenas
Sentir Teu toque
Já não posso respirar

Veja como brilha então
O cego pode ver
E como Tu chamas
Como chamas à mim
Os surdos ouvem
A voz do Teu amor
Que me ofereceste
E o coxo anda
Tu és o único que podes fazer isto

Porque Tu és tudo


Agora eu vivo, cantarei
Agora eu vivo, agora sou livre...

Agora sou livre...

Erros que sabíamos que estávamos cometendo...

Para a periferia, Aí vai: Erros que sabíamos qeu estávamos cometendo...

nós fizemos planos para nunca nos separarmos
amor era tudo queconhecíamos
sem segurança para o impensável
cegamente nos levam além.
nós estivemos procurando uma vida inteira
por mais efêmera que pareça
cavalgando nas faíscas que são emanadas de nós
enquanto os sonhos inflamam-se
erros que nós sabíamos que estávamos cometendo
erros que nós sabíamos que estávamos cometendo
erros que nós sabíamos que estávamos cometendo
não pense nas chances que estamos tomando
não pense nas regras que estamos quebrando
erros nós sabíamos...
do da na na na
do da na na na
dirigindo na chuva para o hospital
o silêncio torna mais intenso
o que antes parecia impossível.
agora faz sentido perfeitamente
demos as mãos para encarar o frio desconfortável
e a sala solitaria
revistas e distrações vazias
mal nos encorajam
erros que nós sabíamos que estávamos cometendo
erros que nós sabíamos que estávamos cometendo
erros que nós sabíamos que estávamos cometendo
não pense nas chances que estamos tomando
não pense nas regras que estamos quebrando
erros nós sabíamos...
e quando nós tentamos refletir sobre a vida
nós nos encontramos olhando para o mundo através de nossos olhos
o quê pode ser dito agora?
oh, pequena no outro lado
dance até a banda parar de tocar
cante com todo seu poder
erros que nós sabíamos que estávamos cometendo
erros que nós sabíamos que estávamos cometendo
erros que nós sabíamos que estávamos cometendo
não pense nas regras que estamos quebrando
erros nós sabíamos...
a lista vai e vai
a lista vai e vai
a lista vai e vai... (até o fim)

Mistakes We Knew We Were Maki

This is a wonderfull compose of Mae Band. Listen him.


we made plans to be unbreakable,
love was all we knew.
no insurance for the unthinkable,
blindly get us through.
we've been searching for a lifetime,
short as it may seem.
riding on the fumes that spark us,
while igniting dreams.
mistakes we knew we were making.
mistakes we knew we were making.
mistakes we knew we were making.
don't think about chances we're taking,
mistakes we knew...
do da na na na..
do da na na na..
driving in the rain to the hospital,
quiet makes it intense,
what at once seemed as the impossible,
now makes perfect sense.
we held hands to face the uncomfortable cold,
and lonely room.
magazines and empty distractions
barely got us through.
mistakes we knew we were making.
mistakes we knew we were making.
mistakes we knew we were making.
don't think about chances we're taking,
mistakes we knew...
do da na na na..
do da na na na..
and when we try to think of the life inside,
we found ourselves looking at the world through our eyes.
what can now be said?
oh, little one on the other side.
dance until the band stops playing,
sing with all your might.
mistakes we knew we were making.
mistakes we knew we were making.
mistakes we knew we were making.
don't think about chances we're taking,
don't think about rules we were breaking.
mistakes we knew...
the list goes on and on.
the list goes on and on.
the list goes on and on...

Ausência

Atendendo a Pedidos... Vinícius de Moraes em Meu Amores.






Eu deixarei que morra em mim o desejo
de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa
de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença é qualquer coisa
como a luz e a vida

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto
e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque
em meu ser está tudo terminado.
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados

Para que eu possa levar uma gota de orvalho
nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como uma nódoa do passado.
Eu deixarei ... tu irás e encostarás
a tua face em outra face

Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei a minha face
na face da noite e ouvi a tua fala amorosa

Porque meus dedos enlaçaram os dedos
da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência
do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só
como os veleiros nos portos silenciosos

Mas eu te possuirei mais que ninguém
porque poderei partir
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente,
a tua voz serenizada.


Vinicius de Moraes

domingo, 27 de julho de 2008

A Flor...

Para quem pediu Los Hermanos em Meu Amores...

Ouvi dizer
que o teu olhar ao ver a flor
Não sei por que
achou ser de um outro rapaz
Foi capaz de se entregar
Eu fiz de tudo pra ganhar você pra mim
Mas mesmo assim...
Minha flor serviu pra que você
achasse alguém
Um outro alguém que me tomou o seu amor
E eu fiz de tudo pra você perceber
Que era eu...
Tua flor me deu alguém pra amar
E quanto a mim?
Você assim e eu, por final sem meu lugar
E eu tive tudo sem saber quem era eu...
Eu que nunca amei a ninguém
Pude, então, enfim, amar...vai!



Rodrigo Amarante/Marcelo Camelo
Desde Palavras, de Cecília Meirelles, não havia postado nenhum poema feito por uma mulher em Meu Amores. Acho que fiz uma bela escolha quando resolvi postar esse de Cora Coralina. Muito introspectivo, muito carregado e por isso muito bom. Espero que gostem. Nova vida, nova inspiração!




Estás morto, estás velho, estás cansado!
Como um suco de lágrimas pungidas
Ei-las, as rugas, as indefinidas
Noites do ser vencido e fatigado.

Envolve-te o crepúsculo gelado
Que vai soturno amortalhando as vidas
Ante o repouso em músicas gemidas
No fundo coração dilacerado.

A cabeça pendida de fadiga,
Sentes a morte taciturna e amiga,
Que os teus nervosos círculos governa.

Estás velho estás morto! Ó dor, delírio,
Alma despedaçada de martírio
Ó desespero da desgraça eterna.


Cora Coralina

Lembranças de Morrer

Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro
- Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

Como o desterro de minh'alma errante,
Onde o fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade - é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade - é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas ...
De ti, ó minha mãe! pobre coitada
Que por minha tristeza te definhas!

De meu pai... de meus únicos amigos,
Poucos - bem poucos - e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.

Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!

Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta destes flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar dos teus amores.

Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo ...
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!

Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida.

Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!

Mas quando preludia ave d'aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos.
Deixai a lua pratear-me a lousa!



Álvares de Azevedo em Meu Amores...

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Novas Poesias Inéditas

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"

Deus sabe, porque o escreveu.



Fernando Pessoa In Alberto Caeiro.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Estou Cansado

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.



Fernando Pessoa in Álvaro de Campos.

Pode ser coincidência ou não, mas postei em Meu amores a um tempo atrás uma poesia com o mesmo tema. Ainda não conhecia esta. Tirem suas próprias conclusões. Rs

A Flor que és

A flor que és, não a que dás, eu quero.
Porque me negas o que te não peço.
Tempo há para negares
Depois de teres dado.
Flor, sê-me flor! Se te colher avaro
A mão da infausta esfinge, tu perere
Sombra errarás absurda,
Buscando o que não deste.




A flor que és, não a que dás, eu quero.

Me impressionou essa frase, pois Ricardo Reis (Fernando Pessoa) demonstra querer realmente a pessoa, o que ela é, e não o que aparenta ser. Muito boa essa poesia, apesar de curta. Demontra o estilo de Fernando pessoa quando escrevia como Ricardo Reis.

Nova vida, nova inspiração...

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Nível dos Leitores desse blog.

Para descontrair um pouco, fiz um teste para ver qual era o nível educacional dos leitores de Meu Amores.
Não foi surpresa o resultado:


blog readability test

Movie Reviews





Parabéns a vocês, leitores de Meu Amores, por sua capacidade...

domingo, 20 de julho de 2008

Soneto Ao teu amor e à tua palavra.

Teus olhos são
luz para meu caminho
Tua palavra é
lâmpada para meus pés...

E o teu amor é
como a doce água,
que vem a mim quando estou
em meio a um deserto.

Como o orvalho,
que desce em plena terra seca
e dela faz surgir
verdejantes pastos.

Quero fazer valer
o teu amor em mim
para que o doente tenha onde se curar

quero fazer valer
tua palavra em mim
para que o mundo saiba que eu te amo...

Tento Aprender a Amar

Eu quando criança
Acreditei no amor,
e em tudo que me diziam,
pois era pequeno e não entendia,
que o amor não se toca
não se vê.
Apenas se sente.
E enquanto crescia
vi que muito se falava
mas poucos haviam sentido
o que realmente é o Amor.
Todos dizem conhecer
mas poucos o conhecem de verdade.
Vi shoppings lotados,
e avenidas decoradas,
mas por corações vazios.
"Românticos são poucos
são loucos desvairados,
que querem ser o outro
que pensam ser o outro o paraíso."
Quem ama esquece-se de si mesmo
e troca o seu bem pelo do outro,
não se coloca em porfias
não vende seu coração.
Cantam uma canção,
que vem do mais fundo da alma
não alimentam serpentes
e faz tudo com muita calma.
Descobri que também não sei amar
que muitas vezes quem decora as avenidas
é o meu coração.
Tento aprender a amar,
tento melhorar,
e sei que românticos como eu,
é que não deixam o amor acabar,
se esfriar,
sei que românticos como nós
é que fazem o mundo andar.

Do Brasil

Falar do Brasil sem ouvir o sertão
É como estar cego em pleno clarão
Olhar o Brasil e não ver o sertão
É como negar o queijo com a faca na mão.
Esse gigante em movimento
Movido a tijolo e cimento
Precisa de arroz com feijão
Quem tem a comida na mesa
Que agradeça sempre a grandeza
De cada pedaço de pão
Agradeça a Clemente
Que leva a semente
Em seu embornal
Zezé e o penoso balé
De pisar no cacau
Maria que amanhece o dia
Lá no milharal
Joana que ama na cama do canavial
João que carrega
A esperança em seu caminhão
Pra capital
Lembrar do Brasil sem pensar no sertão
É como negar o alicerce de uma construção
Amar o Brasil sem louvar o sertão
É dar o tiro no escuro
Errar no futuroDa nossa nação.
Esse gigante em movimento
Movido a tijolo e cimento
Precisa de arroz com feijão
Quem tem a comida na mesa
Que agradeça sempre a grandeza
De cada pedaço de pão
Agradeça a Tião
Que conduz a boiada do pasto ao grotão
Quitéria que colhe miséria
Quando não chove no chão
Pereira que grita na feira
O valor do pregão
Zé coco, viola, rabeca, folia e canção
Zé coco, viola, rabeca, folia e canção
Amar o Brasil é fazer
Do sertão a capital...


Vander Lee

Pensei que fosse o céu.

Estou aqui mas esqueci
Minh'alma num hotel
Meu coração na caneta
Meus desejos num papel

Eu vinha sem retrovisor
Um rosto estranho me chamou
E a minha pele não me coube mais
A sorte veio e me encontrou
Na corda bamba do amor
Meus dias nunca mais serão iguais.

Estava ali, me confundi
Pensei que fosse o céu
O azul do mar me chamou
E eu pulei de roupa e de chapéu.

A onda veio e me levou
Desse lugar e agora eu sou
Uma ilusão, a solidão é meu troféu.
Aquela foto amarelou
O riso no meu camarim
Felicidade bate a porta e ainda ri de mim.

Vander Lee


Sempre me achei intelectualizado, e tinha resistência ao que era popular. Mas me rendi quando ouvi essa melodia de Vander lee. Poucos eruditos fariam versos tão "carregados" de amor e beleza. Digo o mesmo a respeito dos cordéis nordestinos, e concordo, que Patativa do Assaré é tão genial quanto Machado de Assis e Fernando Pessoa.
Conclusão. Agora deixei de me achar intelectualizado, e passei a admirar os gênios, os populares, que muitas vezes nunca frequentaram uma escola, mas que nos dão aulas do que é a verdadeira poesia.

Até mais. Nova vida, nova inspiração...

sábado, 19 de julho de 2008

Pré-Olímpico mundial de basquete.

Eu, como todos os brasileiros amantes do basquete, senti muito em nossa seleção não participar de mais um olimpíada. Mas a tempos (olha que digo a tempos mesmo, desde o fim da geração de Oscar, Marcel e companhia...) não via uma seleção tão aguerrida, tão determinada. Apesar da derrota senti orgulho em ser brasileiro, como a muito tempo não sentia. E para narrar os fatos, fiz mais uma poesia.


Pré Olímpico


De Huertas para Marcelo
De Marcelo para Tiago
daí à parábola perfeita
que leva a bola à cesta.

Quem ama o basquete,
e ama sua nação
não deixa os próprios interesses
acima dos da seleção.

Guerreiros, bravos, campeões,
que na vitória ou na derrota
mostram para todos nós
o que realmente importa


Tive orgulho do meu país
exatamente por ver esses heróis
e não por mortos de fome
que trocam sua terra
por uns míseros dobrões.

Brasil, não foi dessa vez
derrotas são do esporte
mas conseguimos conquistar com braço forte
e em teu seio óh liberdade
Desafia o nosso peito a própria morte.


Desencanto

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
Eu faço versos como quem morre.


Manuel Bandeira.


Faltava Manuel Bandeira em meu amores. Para quem gosta (o meu caso) esse é um poema de muitos que serão postados. Aprendo sempre com mestres, que não mais nesse mundo estão, mas falam do coração, de amor, angústia e razão.

Grato a eles, faço como Newton, me apóio nas costas de gigantes.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Entrega


Eis-me aqui então
me entrego de braços abertos.
Se a solidão soubesse
que o Amor prevalece,
ficaria só.

Um soldado vence mil batalhas,
para rever sua casa.
Porque ele sabe o que vai encontrar
no final da jornada.

Nada a Fazer,
a não ser,
esquecer a dor.

Quando o coração se entrega
e a boca confessa
toda imensidão se rende diante da prece.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Acabou

Tempos antigos, que passaram
e não mais voltarão
como o mar que seca
e a voz em que se cala a canção.

O que não volta mais
o que o passado acolheu e levou
o que ficou para traz
O que vento impetuoso carregou.

Eu e você
o que era e não é mais
Nós dois, nossos sonhos
a lembrança do porto e do cais.

Passado que eu me lembro
como tempo bom
onde tudo, compreendo,
Acabou.

Em mim também

Em mim também, que descuidado vistes,
Encantado e aumentando o próprio encanto,
Tereis notado que outras cousas canto
Muito diversas das que outrora ouvistes.

Mas amastes, sem dúvida ... Portanto,
Meditai nas tristezas que sentistes:
Que eu, por mim, não conheço cousas tristes,
Que mais aflijam, que torturem tanto.

Quem ama inventa as penas em que vive;
E, em lugar de acalmar as penas, antes
Busca novo pesar com que as avive.

Pois sabei que é por isso que assim ando:
Que é dos loucos somente e dos amantes
Na maior alegria andar chorando.


Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Dá-me o teu olhar

Dá-me o precioso Dom de me arrepender se eu errar...
Faze com que eu possa enxergar
A malignidade contida no pecar...
Contra Tua Lei!
Dá-me, também, o Teu olhar
Pra que eu possa, sem julgar, perdoar meu agressor.
Sem esquecer de não me exaltar;
Renegando o próprio "eu";Submisso ao Teu amor...
Ó Senhor!
Cria, ó cria em mim
Um novo ser capaz de se conter.
Que eu possa compreender o meu irmão;
Que eu possa, ao rancor, não dar vazão;
Que a minha vida seja uma oração...
Sem sentimentalismo barato, mas com poder!
E devoção!
Dá-me Teu olhar, Senhor!
Dá-me Teu olhar...
Não me deixas esquecer de, a cada dia, Te buscar
Para adquirir poder.
Dá-me Teu olhar...
Ronaldo Oliver Rhusso

José

Continuando a nossa trilogia de Carlos Drummond, uma das mais misteriosas e belas poesias do gênio:

JOSÉ


E agora, José ?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?
e agora, você ?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta ?
e agora, José ?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José ?

E agora, José ?
Sua doce palavra,
seus instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro, s
ua incoerência,
seu ódio --- e agora ?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora ?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José !

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José !
José, para onde ?


Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 15 de julho de 2008

A Famigerada Dança do Créu

Mais um cordel maravilhoso...

A Famigerada dança do créu



Meus amigos atenção
vamos fazer escarcéu
pois a praga já chegou
mostrando a cara sem véu
a coisa é famigerada
para o mal da garotada
chegou a dança do créu.

Chamar aquilo de dança
chega a ser um sacrilégio
pois dança é coisa divina
e dançar é um privilégio.
Aquilo é um rebolado
safado e mal acabado
um ato de sortilégio.

Tanta obscenidade
sem motivos sem razões
fruto da mediocridade de imbecis fanfarrões
desprovidos de talento
com pensamento nojento
iludindo as multidões.

Esses falsários da arte
têm que ser abolidos
gravadoras não deviam gravar esses atrevidos.
Se as rádios não tocassem
televisões não mostrassem
eles seriam banidos.

Mas a mediocridade
não está só em quem faz
a maior parte das rádios
com isso se satisfaz
divulgando a excrescência
que junto com a prepotência
a maledicência traz.

A televisão propaga
dando fama futurista
a qualquer um imbecil
que se arvora de artista
impondo uma ditadura
fazendo a anticultura
em atitude fascista.

Tem TV e Rádio boa
pois nem todas são assim
somente as mercantilistas
divulgam coisa ruim
denegrindo as coisas boas
imbecilizam as pessoas
em um medíocre festim.

Essa praga se espalha
por entre a população
que se influencia fácil
por falta de educação.
Nós temos que educar nosso povo pra pensar
e ao que ruim dizer um não.

Quem tem má educação
vê e ouve o que não presta,
ainda acha que é bom e disso faz uma festa.
Por não ter conhecimento
consumir o "excremento"apenas é o que lhe resta.
Nossa má educação
só nos traz dificuldade,
não se vive por inteirosó se conhece a metade.

Coisas boas desprezamos
sem perceber mergulhamos
na cruel mediocridade.
Com essa realidade
o povo vive ao léu
em aglomerados loucos,
nem olha mais para o céu!
Perde sensibilidade
e dá oportunidade
para a miséria do créu.

Esse tipo de "arte" faz
muita gente se iludir
porque isso não é arte
só chega pra confundir.
É oriundo do mal
não é intelectual
por isso tem que sumir.

Muita gente pode achar
até que sou radical
porém está enganado
o que eu não gosto é do mal.
A cultura popular
deve se manifestar
mas não de modo banal.

O novo é muito legal
mas quando vem com beleza,
e não de modo obsceno
fomentando a incerteza,
sem ter sentido e sem nexo
banalizando o sexo
desmantelando a pureza.

Eu tenho muita tristeza
quando vejo a criancinha
induzida por adultos
a remexer a bundinha,
em gestos sexuais
medíocres, feios, banais,
com essa dança daninha.

E essa coisa mesquinha
entra em nossas escolas
e em algumas encontra
professores sem cacholas,
que fazem a criançada dançar a famigerada
remexendo as "rabicholas".

A escola deveria ser a primeira a barrar
esse tipo de costume
e à criança ensinar o lado bom da cultura
pra formar na criatura a lucidez do pensar.
A escola deve ter a responsabilidade
de afastar nossas crianças
dessa mediocridade.

Combater os maus costumes
e espargir os perfumes
da moral e da verdade.
Atrás dessa improbidade
outras piores virão,
se nós os educadores não dermos toda atenção,
a fim de realizar uma mudança sem par
através da educação.

Só se faz uma nação
soberana, em bom estado
com ética e honestidade
povo bem alimentado
escola que ensine bem
saúde por um vintém
e um povo muito educado.


Autor: Waldeck de Garanhuns


O cordel, como forma
de cultura popular
expresando a verdadeira arte
e fazendo a sua parte
Para com o mal acabar.