domingo, 20 de dezembro de 2009
Ciência...
Não consigo entender como ele
pode agir de tantas formas...
Conhecemos tanto, mas não é isso que venho dizer.
Conhecemos tanto, mas sabemos tão pouco.
Nossos ancestrais devem ter pena de nós...
Saturados de informação e com tão pouca inteligência.
Somos da era digital, nascemos com um celular,
temos e-mail, instant messaging, e as mais diversas formas,
mas não sabemos nos comunicar.
Pior,
Às vezes nos omitimos em nos comunicar...
Estamos tão ligados e ao mesmo tempo tão separados...
Tão juntos e ao mesmo tempo tão sozinhos...
Viajamos tão rápido quanto Apolo nos mitos,
Porém muitas poucas vezes temos onde ir...
Falamos todas as línguas, mas
não tocamos muitos corações...
Enfim, às vezes a ciência me constrange....
Concluo:
Sem o relacionamento humano ela não vale nada...
Sem o amor do "relacional" toda ciência se esvai...
Emanuel Miranda em Meu Amores...
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Na minha infância
não conheci moeda,
senão o celeiro cheio
e as vacas gordas.
Precisava de roupa
trocava algodão por fazenda.
Carecia de aliança
trocava o trigo pelo ouro.
E éramos felizes!
Meus irmãos iludiram meus pais
com a visão dos novos tempos
e modernizaram tudo.
Saíram das tetas das vacas
direto para as teclas dos computadores:
não conseguiram ordenhar as máquinas.
Hoje trocamos dívidas.
Urhacy Faustino em Meu Amores...
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Em comemoração à minha volta "vai aí" um cordel para vocês. Espero que gostem.
Pergunto
Eu queria uma resposta
Pra essa minha pergunta
Porque eu amo tanto assim
E é só sofrimento que ajunta.
Eu queria tanto entender
Porque é tão difícil assim
Amar tanto quem não me ama
Isso dói e é tão ruim.
Com o olhar ver a pessoa
Mas não consegue ver o coração
Se apaixonar só com jeito de ser
E o mal que fárá essa paixão.
Que só amar a natureza
Assim resposta eu não cobraria
Com certeza eu seria correspondido
E um belo motivo eu teria.
Se você conseguir me responder
Ou dar a resposta que eu tanto quis
Seriamente serei muito completo
E vou viver muito mais feliz.
Dimi em Meu Amores.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Despedida
Por mais que se evite Uma despedida é sempre triste. Não se quer dizer adeus, A despedida Maltrata, Dilacera. A despedida Age direto no ser, O adeus é o desenlace O adeus é distância que se apresenta, A despedida, Seres que se separam, Uma palavra balbuciada... ADEUS. Separação, Desilusão, Sonhos desfeitos. Uma palavra dita, Sua força... Só há uma coisa boa na despedida... Apesar de todas as mudanças, os pedaços que ficam pelo caminho, Fica a alegia de termos podido viver momentos juntos... |
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Cíclica
Um sorriso...
xingo, brigo...
Atiro, esfaqueito.
Bombardeio.
Submeto.
Tento sair de todas as maneiras.
Inútil.
Isso que está em mim é mais forte;
Não entendo o porquê, mas o é;;;
Esgoto as minhas forças.
E enfim consigo dominá-lo...
Aí vejo seu rosto,
seu sorriso, seus cabelos...
Eu vejo seu sorriso...
Seu sorriso...
Sorriso...
Riso...
E novamente me perco,
amargo a pior derrota.
Quase dois metros de altura
93 quilos...
Derrotado por apenas um sorriso...
Sou mesmo patético...
Mas é esse mesmo sorriso,
que me faz perder a hora...
para encontrar uma única rima...
O mesmo sorriso que me derrota...
Me traz a liberdade
de escrever coisas sem sentido.
Apenas me lembrando de ti.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Flores...
incontáveis dias.
Quando cessam trazem lembranças
do Sol da manha, da brisa da tarde.
Penso pois dos dias
da primavera da minha vida
que parece nunca ter começado.
Um inverno que nunca acaba.
Inverno pois do qual sempre me lembro
não por ser em si inverno,
mas pela espera demorada
dos dias da primavera.
As flores crescem nos campos,
a partir dessa,
as flores murcham nos campos
a partir daquela.
Mas o que as duas tem em comum?
As flores presentes estão...
Desengano
Me pôs um dia cru, enraivecido;
Me pôs para sofrer, que o dolorido
E tenebroso Amor, me custou caro.
Em lágrimas e Dor, no desamparo,
Amor me foi algoz, e foi bandido;
Foi loucura este Amor, que o deus Cupido,
Por ser vidente e cego, é pomo raro.
Oh Dor, míseras tunas, meus enganos,
Tristes águas, alvor de mágoas mil:
Meu candor, que assim foi nas almas danos,
Seja alor, seja alegre e pastoril,
Que é triste eu ir morrendo anos e anos,
Como é vil, um Abreu não ter Abril.
Paulo Brito e Abreu em Meu Amores...
sábado, 19 de setembro de 2009
Relógio
mas ela não chega
passam se quase 10 segundos
da última vez que vi o relógio.
Tempo que não passa que
não passa.
Que horas são?
Tempo que não passa.
Consulto todos os relógios
o meu parou?
Não...
Mas porque ainda são?
Não aguento mais isso,
relógio que me mata,
de esperar, de passar
o tempo pensando,
êee... Seu relógio...
Que horas mesmo são?
Venho de longe, trago o pensamento
Banhado em velhos sais e maresias;
Arrasto velas rotas pelo vento
E mastros carregados de agonia.
Provenho desses mares esquecidos
Nos roteiros de há muito abandonados
E trago na retina diluídos
Os misteriosos portos não tocados.
Retenho dentro da alma, preso à quilha
Todo um mar de sargaços e de vozes,
E ainda procuro no horizonte a ilha
Onde sonham morrer os albatrozes...
Venho de longe a contornar a esmo,
O cabo das tormentas de mim mesmo.
Paulo Bonfim em Meu Amores
sábado, 12 de setembro de 2009
Para Além do Desespero...
Apenas a criança
Numa paisagem de nada
A sua boca não ri
(Nunca soube
que uma boca de criança
foi feita para rir)
Os seus olhos não choram
(Não há lágrimas para além do desespero)
Os seus pés
não correm atrás de borboletas
e as suas mãos
não abrem covas na areia
(Não há borboletas nem areia
numa paisagem de nada).
Para além do desespero...
Também minha revolta
com cadeados nos pulsos.
Ovídio Martins em Meu Amores...
A Mulher
Seu ciúme é cuidado impertinente
Seu desejo é fornalha incandescente
Quando pode, é perigo, o que devolve,
Quando está duvidosa só resolve
Pelo fio da ânsia propulsora,
Quando assume o papel de genitora
Aurifica seu corpo fecundante,
Prá tornar-se a maior representante
Dessa lei biológica criadora
No namoro é centelha de ilusão
No noivado é a fonte de esperança
Sendo esposa é profunda a aliança
E faz unir coração com coração,
Como mãe é suprema adoração!
Sendo sogra é as vezes tempestade
Quando amiga, é amiga de verdade,
Sendo amante é volúpia no segredo,
Porém sendo inimiga causa medo
Ao mais forte machão da humanidade.
Soneto Inglês;;;
Sobre meu peito e meus olhos fechar,
Saiba a Noite que errou em seu balanço
De quem nunca cuidava de a esperar.
Como um rio de margens apertadas
Sem quedas ou saliências de protesto,
Foram lentas as águas renovadas
Na calma sucessão de cada gesto.
Sonhos de eternidade, sonhos vãos
P´ra quem não mereceu deixar memória,
Que o gesso esboroou em suas mãos
De um modelo sem rosto e sem história.
Dormir. E o sono se retarde em anos
E esqueça de cobrar meus desenganos.
Arnaldo França em Meu Amores...
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Verão...
Mais inverno que o próprio...
é assim...
Inverno é meio inverno
meio inverso
meio verão...
A primavera se salva
mas também é verão.
O verão sim...
Esse é,
pelo menos aqui...
O verão tem onze meses
e as outras estações...
Um, talvez menos...
É assim nos trópicos...
sábado, 8 de agosto de 2009
Nossa grande civilização
As folhas das bananeiras movem-se ao ritmo da ventania um louco passa jogando pedra na compulsão da sua fantasia. O mundo é um imenso manicômio loucos violentos que agridem, matam, torturam loucos poderosos que dominam os outros na ilusão dos seus interesses na manutenção dos seus poderes loucos inteligentes que mandam os outros ao espaço que tiram e salvam vidas que divertem e instruem loucos que matam e dão vida loucos que destroem e constroem a si e ao meio O mundo é uma grande múltipla e diversificada loucura há pessoas loucamente apaixonadas por ele há pessoas loucamente revoltadas contra ele há os que se apegam a ele há os loucamente mansos e pacíficos que buscam uma solução porque suas loucuras já não suportam mais tanta loucura e são estes a única luz no fim do túnel sujeita ao ritmo da ventania como as folhas da bananeira.
sábado, 1 de agosto de 2009
O Amor...
o amor é bondoso;
nele não há ciúmes.
O amor é cego;
o amor é humilde;
o amor não conhece o orgulho,
nem esconde motivações egoístas.
não faz exigências.
Apesar de qualquer erro,
o verdadeiro amor permanece.
O amor é santo; é puro; é eterno.
O amor vai prevalecer.
O amor é fiel; ele dá o melhor;
Ele ama a verdade;
o amor vence as provações.
O amor é Deus enviando Seu Filho.
O amor perdoa tudo o que fazemos.
O amor sabe quando dizer não...
O amor cresce à luz do Filho de Deus.
E o amor mostra ao mundo que o Filho do Amor já veio.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
A Ideia
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!
Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!
Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas do laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica ...
Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No mulambo da língua paralítica.
A Esmola de Dulce
Ao Alfredo A.
E todo o dia eu vou como um perdido
De dor, por entre a dolorosa estrada,
Pedir a Dulce, a minha bem amada,
A esmola dum carinho apetecido.
E ela fita-me, o olhar enlanguescido,
E eu balbucio trêmula balada:
- Senhora, dai-me u’a esmola - e estertorada
A minha voz soluça num gemido.
Morre-me a voz, e eu gemo o último harpejo,
Estendo à Dulce a mão, a fé perdida,
E dos lábios de Dulce cai um beijo.
Depois, como este beijo me consola!
Bendita seja a Dulce! A minha vida
Estava unicamente nessa esmola.
domingo, 19 de julho de 2009
Nunca mais
domingo, 12 de julho de 2009
A guerra
Promessas
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Medicina e Poesia
anda ao lado das letras, da cultura,
e irradia saber nessa mistura
intrigante e instigante, nessa sina
exemplar, salutar faina divina
em fazer da caneta o bisturi
e do choro do ofício fazer rir
pra poder renovar o sentimento.
A cultura é o melhor medicamento
espiritual, da vida o elixir.
Desde tempos remotos o poeta
é o maior vendedor de sentimento
ao cantar sua dor, o seu lamento,
ao fazer do prazer a sua meta.
A ciência era, então, muito discreta
e buscava a verdade em qualquer ar;
e nos seus desacertos foi buscar
nos escritos um novo lenimento;
o poeta curou o sofrimento,
o doutor fez a dor cruel passar.
E não mais separou-se, desde então,
o mister de curar do de escrever.
O contista mostrou também saber
e foi ter nos confins do coração
a cadência da sua inspiração.
Descobriu na ciência a melodia
e passou a viver seu dia-a-dia
entre o som mavioso do saber
e o gostoso prazer de escrever:
Medicina juntou-se a Poesia.
É preciso manter essa união,
é preciso manter ativa a chama.
O doutor que se fecha no seu drama
alimenta o sofrer do coração.
Não retire o doutor (cirurgião,
pediatra, obstetra ou analista)
a caneta da mão. Escreva. Insista
em manter a cultura em sua mente.
Alimente o saber e se alimente;
abra os braços pra mais esta conquista.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Sonetos Platônicos I
Lembro-me da primeira vez
vez em que a vi
tão quando percebi,
o sentimento me refez.
Corpo magro, cabelo negro
aparelho ortodôntico?
Me mostou o desapego
com a física do quântico.
Me lembro daquele dia
noite ou manhã,
pois não sei bem ao certo, não pude perceber.
Seria coisa vã aquilo que pude ter?
E apenas em sonho concebia,
A chance de a conhecer...
Na volta de MEU AMORES, após uma longa temporada sem postagens (por favor não me culpem, esse período foi um pouco mais ou menos mais estafante que os últimos) venho com uma série de sonetos, aos quais dei o nome de Sonetos Platônicos.
Espero que gostem, e como promessa deixo de postar pelo menos uma poesia por dia nessas férias... Um grande abraço.
"Meu Amores", nova vida nova inspiração.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Quando eu partir
A alma e o corpo unidos,
Num último e derradeiro esforço de criação;
Quando eu partir...
Como se um outro ser nascesse
De uma crisália prestes a morrer sobre um muro estéril,
E sem que o milagre se abrisse
As janelas da vida. . .
Então pertencer-me-ei.
Na minha solidão, as minhas lágrimas
Hão de ter o gosto dos horizontes sonhados na adolescência,
E eu serei o senhor da minha própria liberdade.
Nada ficará no lugar que eu ocupei.
O último adeus virá daquelas mãos abertas
Que hão de abençoar um mundo renegado
No silêncio de uma noite em que um navio
Me levará para sempre.
Mas ali
Hei de habitar no coração de certos que me amaram;
Ali hei de ser eu como eles próprios me sonharam;
Irremediavelmente...
Para sempre.
Rui Cinatti em Meu amores...
domingo, 5 de abril de 2009
O cometa
Na erva, no inseto, em tudo uma alma rebrilhava;
Entregava-se ao sol a terra, como escrava;
Ferviam sangue e seiva. E o cometa fugia...
Assolavam a terra o terremoto, a lava,
A água, o ciclone, a guerra, a fome, a epidemia;
Mas renascia o amor, o orgulho revivia,
Passavam religiões... E o cometa passava.
E fugia, riçando a ígnea cauda flava...
Fenecia uma raça; a solidão bravia
Povoava-se outra vez. E o cometa voltava...
Escoava-se o tropel das eras, dia a dia:
E tudo, desde a pedra ao homem, proclamava
A sua eternidade ! E o cometa sorria...
Olavo Bilac [2] em Meu Amores.
Longe de Ti
Teu nome, que uma boca indiferente
Entre outros nomes de mulher murmura,
Sobe-me o pranto aos olhos, de repente...
Tal aquele, que, mísero, a tortura
Sofre de amargo exílio, e tristemente
A linguagem natal, maviosa e pura,
Ouve falada por estranha gente...
Porque teu nome é para mim o nome
De uma pátria distante e idolatrada,
Cuja saudade ardente me consome:
E ouvi-lo é ver a eterna primavera
E a eterna luz da terra abençoada,
Onde, entre flores, teu amor me espera.
Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac em Meu Amores...
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Azuis...
cômoda, confortável
como sempre.
Tudo bem, zen...
Apenas um olhar,
arrasta tudo que construi.
Olhos azuis, tão azuis...
O mar, o céu?
Seus olhos riem deles.
Edifico tendas, cabanas,
casas, prédios...
Vem um vento azul e
os derriba, coloca-os abaixo.
Não é qualquer azul, é apenas um azul.
O vento que vem, não sei de onde...
Passa e leva tudo abaixo.
Concluo...
Olhos azuis são vento,
destroem.
Olhos azuis não são
minha prosperidade,
são minha falência...
Cheiro a terra molhada
o deserto
a noite e o choro
da criança que acaba de nascer
o ponteiro do relógio
imaginário
que não marca tempos ou memórias
a carne e a pólvora
o sangue
uma secreta raiva
desesperante de amor e solidão:
o descobrir de um mar em teus olhos.
Luisa Bagão em Meu Amores...
segunda-feira, 23 de março de 2009
Meninos e Meninas
nos livros, nos jornais, no cinema e na televisão
retratos de meninas e meninos
a defender a liberdade de armas na mão.
Todos já vimos
nos livros, nos jornais, no cinema e na televisão
retratos de cadáveres de meninos e meninas
que morreram a defender a liberdade de armas na mão.
Todos já vimos!
E então?
Fernando Sylvan em Meu Amores
sexta-feira, 20 de março de 2009
O terremoto.
hoje descobri.
Encontrei.
O que me acaba, me agonia.
O que me quebra
comove,
prende,
repugna. O que entra,
e o que sai.
Irrita, delira, castiga, enfastia.
Engole, digere, pune, acaba.
Existe apenas uma pessoa no mundo que conheço,
somente ela me conhece,
me dá medo.
Eu.
sexta-feira, 13 de março de 2009
Pretendo escrever mais frequentemente a partir de agora... Um grande abraço...
Meu Amores, nova vida, nova inspiração...
Mãos dadas
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Carlos Drummond de Andrade em Meu Amores... Depois de tanto tempo...
sexta-feira, 6 de março de 2009
Avoou...
O último pombo correio.
Levou duas cartas,
cartas para duas pessoas.
Entregues foram? Espero que sim
e espero que não.
Se assim fosse saberiam exatamente
o que dizem os versos,
o que o poeta sente.
Espero resposta
resposta das duas,
respostas curtas ou breves
apenas respostas suas.
Ó grande carteiro,
traga notícias.
Aguardo ansiosamente...
Chuva
leva a poeira dos dias,
chuva de água luminosa
cristalinos cachos de transparências
chuva que canta nas telhas
canção no vão das calhas
da chuva o enlevo
ao sonho nos leva
águas despertas
chuva de finos fios
na mansidão da noite
encontro de encantos
luz na imensidão
pingos dourados
na face da rainha das águas
chove perdão
suas lágrimas
de água doce.
Sentimento em duas vias
Um amor às claras
Um amor no escuro
Apaguei o passado
Planejei o futuro
Em uma folha
De papel carbono
Registrei cada momento
Em duas vias
Todo o sentimento
Como garantia
Do meu amor
terça-feira, 3 de março de 2009
Fugazes
voejam idéias e anjos.
Há que puxá-los pelas asas rápidas,
que não se rompa o fio da candura.
Cuidado com o cetim da vestimenta
e o arisco vagalume das espáduas.
E há que entretê-los - que não se extraviem
ou se desfaçam a algum ledo engano.
Há que agarrá-los pelas mãos de nuvens,
aprisioná-los nesse escasso armário.
Asas abertas sobre brancas folhas,
voam anjos de túnicas fugazes
trançando em dedos frágeis alguns fios
da vasta cabeleira das palavras.
Sonata
na rede da vida imersa
pouco a pouco se dissipa
dos loucos búzios, dos mares.
Vira um lago, uma enseada
em que os espelhos transmigram
o corpo - corpo bebido
de veneno, morte lenta.
O corpo - metade breve
de arlequinadas memórias
nos mastros ocres da angústia
na devassa de ilusão.
Irmão vencido na guerra
das horas por sobre as horas
dos anos idos, dos vindos
o corpo - flor decepada.
Da haste, um relógio-pênsil
que se alteia e se debruça
nos movediços da argila
o corpo - ferida aberta.
Bola de neve que o tempo
brinca brinca de escurar
jasmim que perde seu viço
o corpo - luz que se apaga.
Dos imos do coração
uma canção que trescala
o corpo, breve que passa
no arranho da solidão.
Ymah Théres em Meu Amores...
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Esquecimento não!
aquilo que quero dizer.
Que eu mesmo esqueça
aquilo que não quero esquecer.
Antes que tudo se finde
antes que todo labor
escasseie.
Antes que a voz se cale
que o Monte se abale.
Digo, não por orgulho
mas para não esquecer
para que não seja sufocado
o que quero dizer.
Três são muito,
Quatro demais
Cinco impensável
dez inexistente.
Se todas fossem uma
um seria meu número
mas um é tão pouco,
e seis demais...
Espero que daqui a dez anos
um seja o suficiente
e dez demais...
Duas já foram, só faltam oito...
Emanuel Miranda em Meu Amores...
mas juro que não fui eu
eu até que tentei fazer o melhor que podia para salvá-la
imitei diligentemente augusto dos anjos paulo torres car-
los drummond de andrade manuel bandeira murilo
mendes vladmir maiakóvski joão cabral de melo neto
paul éluard oswald de andrade guillaume appolinaire
sosígenes costa bertolt brecht augusto de campos
não adiantou nada em desespero de causa cheguei a imitar um certo (ou
incerto) emanuel miranda poeta de moravânia estrada
de ferro central do brasil
porém moravânia mudou de nome a estrada de ferro
central do brasil foi extinta e emanuel miranda parece
nunca ter existido
nem eu
Adaptação de José Paulo Paes em Meu Amores...
Passarinho fofoqueiro...
Um passarinho me contou
que a ostra é muito fechada,
que a cobra émuito enrolada,
a arara é uma cabeça oca,
e que o leão marinho e a foca..
xô , passarinho! chega de fofoca!
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Apelo para a moça de óculos...
As linhas inexatas e difusas
Só em ti ganham sentido. E até Calíope,
A musa mais sabida dentre as musas,
Pudesse, ficaria bem mais bela
Ornada com os óculos que usas.
Porque moça, há aí dentro das janelas
Um aquário em que as meninas, com seu nado,
Me encantam (de sereias que são elas...).
E o meu olhar, também sincronizado,
Mergulha e é pescado na armação
Que cobre esse teu mar esverdeado.
Não são muletas, máscaras, e não
Isolam o teu olhar do que vem vindo.
Mas sim frágeis molduras, onde então
É semirrevelado algo tão lindo,
Que é o teu rosto nesses óculos. Molhe-os
Com lágrimas de quem chora e está rindo
Até que eu possa enfim despir teus olhos.
Nossa... Há quanto tempo não escrevia para Meu Amores... Até tinha esquecido como era... [rs]
Mais uma vez, Meu Amores a todo vapor. Nova vida, nova inpiração.
domingo, 25 de janeiro de 2009
Cordel...
Depois de muito tempo... Uma poesia de cordel em Meu Amores:
Deus escreve em linhas tortas
Tão certo chega faz gosto
E fez tudo abaixo dele
Nada lhe será oposto
Um do outro desigual
Por isto o mundo é composto
Vejamos que diferença
Nos seres do Criador
A águia um pássaro tão grande
Tão pequeno um beija-flor
A ema tão corredeira
E o urubu tão voador
Vê-se a lua tão formosa
E o sol tão carrancudo
Vê-se um lajedo tão grande
E um seixinho tão miúdo
O muçu tão mole e liso
O jacaré tão cascudo
Vê-se um homem tão calado
Já outro tão divertido
Um mole, fraco e mofino
Outro valente e atrevido
Às vezes um rico tão tolo
E um pobre tão sabido
É o caso que me refiro
De quem pretendo contar
A vida d’um homem pobre
Que mesmo sem estudar
Ganhou o nome de sábio
E por fim veio a enricar
Esse homem nunca achou
Nada que o enrascasse
Problema por mais difícil
Nem cilada que o pegasse
Quenguista que o iludisse
Questão qu’ele não ganhasse
Era um tipo baixo e grosso
Musculoso e carrancudo
Não conhecia uma letra
Porém sabia de tudo
O povo o denominou
O Sabido Sem Estudo...
Um dia chegou-lhe um moço
Já em tempo de chorar
Dizendo que tinha dado
Cem contos para guardar
Num hotel e o hoteleiro
Não quis mais o entregar
O Sabido Sem Estudo
Disse: - isto é novidade?
Se quer me gratificar
Vamos lá hoje d etarde
Se ele entregar disse o moço:
- Dou ao senhor a metade
O Sabido Sem Estudo
Disse: - você vá na frente
Que depois eu vou atrás
Quando eu chegar se apresente
Faça que não me conhece
Aí peça novamente
O Sabido Sem Estudo
Logo assim que lá chegou
Falou com o hoteleiro
Este alegre o abraçou
O rapaz nesse momento
Também se apresentou
O Sabido Sem Estudo
Disse: - Eu quero me hospedar
Me diga se a casa é séria
Pois eu preciso guardar
Quinhentos contos de réis
Pra depois vir procurar
Respondeu o hoteleiro:
- Pois não, a casa é capaz
Agora mesmo eu já ia
Entregar a este rapaz
Cem contos que guardei dele
Há pouco dias atrás
Nisto o dono do hotel
Entrou e saiu ligeiro
Com um pacote, disse ao moço:
- Pronto amigo, seu dinheiro
Confira que está certo
Pois sou homem verdadeiro
Aí o Sabido disse:
- Ladrão se pega é assim
Você enganou o tolo
Mas foi lesado por mim
Vou metê-lo na polícia
Ladrão, safado, ruim
O hoteleiro caiu
Nos pés dele lhe rogando:
- Ó meu senhor não descubra
Disse ele: - só me dando
A metade do dinheiro
Que você ia roubando
O hoteleiro prevendo
A derrota em que caía
Além de ir pra cadeia
Perder toda freguesia
Teve que gratificar-lhe
Se não ele descobria
Foi ver os cinqüenta contos
No mesmo instante lhe deu
Outros cinqüenta do moço
Ele também recebeu
E disse: - nestas questões
Quem ganha sempre sou eu
E assim correu a fama
Do Sabido Sem Estudo
Quando ele possuía
Um cabedal bem graúdo
O rei logo indignou-se
Quando lhe contaram tudo
Disse o rei: - e esse homem
Sem nada ter estudado
Vive de vencer questão?
Isso é pra advogado
Vou botá-lo num enrasque
Depois o mato enforcado
O rei mandou o chamar
E disse: - eu quero saber
Se o senhor é sabido
Como ouço alguém dizer
Vou decidir sua sorte
Ou enricar ou morrer
Você agora vai ser
O médico do hospital
E dentro de quatro dias
Tem que curar afinal
Os doentes que lá estão
De qualquer que seja o mal
Se você nos quatro dias
Deixar-me tudo curado
De forma que fique mesmo
O prédio desocupado
Ganhará cinco mil contos
Se não será degolado
Está certo disse ele
E saiu dizendo assim:
- O rei com essa asneira
Pensa que vai dar-me fim
Pois eu vou mostrar a ele
Se isto é nada pra mim
E chegando no hospital
Disse à turma de enfermeiros:
- Vocês podem ir embora
Eu sou médico verdadeiro
De amanhã em diante aqui
Vocês não ganham dinheiro
Porque amanhã eu chego
Bem cedo aqui neste canto
Mato um destes doentes
E cozinho um tanto ou quanto
Com o caldo faço remédio
E curar os outros eu garanto
Foram embora os enfermeiros
E ele saiu calado
Os doentes cada um
Ficou dizendo cismado
- Qual será o que ele mata?
Será eu? Isto é danado!...
Outro dizia consigo:
- Será eu o caipora?
Mais tarde um disse: - E eu
Estou sentindo melhora
Outro levantou e disse:
- Estou melhor, vou embora
Um amarelo que estava
Batendo o papo e inchado
Lavantou-se e disse: - Eu
Estou até melhorado
Pois já estou me achando
Mais forte, gordo e corado
Já estou sentindo calor
De vez em quando um suor
Um doente disse: - Tu
Estás é muito peior
Disse o amarelo: - Não
Vou embora, estou melhor
E assim foram saindo
Cada qual para o seu lado
Quando chegava na porta
Dizia: - Vôte danado!
O diavo é quem fica aqui
Pra amanhã ser cozinhado
Um moço disse que ouviu
Um mudo e surdo dizer
Que um cego tinha visto
Um aleijado correr
Sozinho de madrugada
Já com medo de morrer
De fato um aleijado
Que tinha as pernas pegadas
Foi dormir, quando acordou
Não achou os camaradas
A casa estava deserta
E as camas desocupadas
Com medo pulou da cama
E as pernas desencolheu
Rasgou a "péia" no meio
E assombrado correu
Dizendo: - Fiquei dormindo
E nem acordaram eu!...
No outro dia bem cedo
O Sabido Sem estudo
Chegando no hospital
Achou-o deserto de tudo
Sorriu e disse consigo:
- Passei no rei um canudo
O Sabido Sem Estudo
Chegou no prazo marcado
Na corte e disse ao rei:
- Pronto já fiz seu mandado
Os doentes do hospital
Já saiu tudo curado
O rei foi pessoalmente
Percorrer o hospital
Não achando um só doente
Disse consigo afinal:
- Aquele ou é satanás
Ou um ente divinal
Deu-lhe o dinheiro e lhe disse:
- Retire-se do meu reinado
O Sabido Sem Estudo
Lhe disse: - Muito obrigado
Pra ganhar dinheiro assim
Tem às ordens um seu criado
Campina Grande, Paraíba 21/11/1955
Manuel Camilo dos Santos em Meu Amores..
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
A formosura desta fresca serra
E a sombra dos verdes castanheiros,
O manso caminhar destes ribeiros,
Donde toda a tristeza se desterra;
O rouco som do mar, a estranha terra,
O esconder do Sol pelos outeiros,
O recolher dos gados derradeiros,
Das nuvens pelo ar a branda guerra;
Enfim, tudo o que a rara natureza
Com tanta variedade nos oferece,
Me está, se não te vejo, magoando.
Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;
Sem ti, perpetuamente estou passando,
Nas maiores alegrias, maior tristeza.
Outra de Luís Vaz de Camões em Meu Amores... Parece uma descrição da minha cidade... Tirando o Mar é claro... Um grande abraço...
Nova vida, nova inspiração...
Amor, que o gesto humano n'alma escreve
vivas faíscas me mostrou um dia,
donde um puro cristal se derretia
por entre vivas rosas e alva neve.
A vista, que em si mesma não se atreve,
por se certificar do que ali via,
foi convertida em fonte, que fazia
a dor ao sofrimento doce e leve.
Jura Amor que brandura de vontade
causa o primeiro efeito; o pensamento
endoudece, se cuida que é verdade.
Luís Vais de Camões em Meu Amores...
Olhai como Amor gera num momento,
de lágrimas de honesta piedade,
lágrimas de imortal contentamento.
sábado, 10 de janeiro de 2009
Universo
tudo aquilo que existe
em mim.
Um universo de cores
sentimentos
pulsando aqui.
cada um de meus pensamentos,
como estrelas, planetas
se vão no infinito.
Dos teus olhos.
Não importa para onde
eu aponte meus olhos
meus ouvidos
vejo seu rosto,
ouço tua voz...
Emissões de energia cósmica
que de uma maneira cômica
demonstram a zona fria
de toda minha tragédia.
Depois de algum tempo, posto denovo em Meu Amores... Prometo que essa demora não se repetirá...
Emanuel Miranda em Meu Amores...