terça-feira, 3 de março de 2009

Sonata

 O corpo - presilha verde

  na rede da vida imersa

  pouco a pouco se dissipa

  dos loucos búzios, dos mares.





  Vira um lago, uma enseada

  em que os espelhos transmigram

  o corpo - corpo bebido

  de veneno, morte lenta.





  O corpo - metade breve

  de arlequinadas memórias

  nos mastros ocres da angústia

  na devassa de ilusão.





  Irmão vencido na guerra

  das horas por sobre as horas

  dos anos idos, dos vindos

  o corpo - flor decepada.





  Da haste, um relógio-pênsil

  que se alteia e se debruça

  nos movediços da argila

  o corpo - ferida aberta.





  Bola de neve que o tempo

  brinca brinca de escurar

  jasmim que perde seu viço

  o corpo - luz que se apaga.





  Dos imos do coração

  uma canção que trescala

  o corpo, breve que passa

  no arranho da solidão.

Ymah Théres em Meu Amores...

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