sexta-feira, 17 de abril de 2009

Quando eu partir

Quando eu partir, quando eu partir de novo 
  A alma e o corpo unidos,
  Num último e derradeiro esforço de criação;
  Quando eu partir...
  Como se um outro ser nascesse
  De uma crisália prestes a morrer sobre um muro estéril, 
  E sem que o milagre se abrisse 
  As janelas da vida. . .
  Então pertencer-me-ei.
  Na minha solidão, as minhas lágrimas
  Hão de ter o gosto dos horizontes sonhados na adolescência,
  E eu serei o senhor da minha própria liberdade.
  Nada ficará no lugar que eu ocupei.
  O último adeus virá daquelas mãos abertas
  Que hão de abençoar um mundo renegado 
  No silêncio de uma noite em que um navio 
  Me levará para sempre.
  Mas ali
  Hei de habitar no coração de certos que me amaram;
  Ali hei de ser eu como eles próprios me sonharam;
  Irremediavelmente...
  Para sempre.


Rui Cinatti em Meu amores...

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