quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Um

Olho para os céus
De lá vem o meu socorro
Pai da eternidade
Me mostra o que é o amor
Amor perfeito e justo
Que sempre me espera

Esse é o som,
Esse é o som que rompe os céus!

O amor de Deus nos faz Um,
Nos faz Um com Ele.
Tudo o que eu fizer
De fé ou esperança
Se não estiver no amor
Não irá permanecer, não
Embora seja grande
Não é obra eterna

Esse é o dom,
Esse é o dom que durará para sempre!

O amor de Deus nos faz Um,
Nos faz Um com Ele.

Palavrantiga em Meu Amores...

Canção para o amigo dormindo.

O pranto no rosto triste
enevoou teu sorriso
maltratou o teu silêncio
navegou no teu mar alto.

Pressentidos, os mistérios
foram todos desvendados
nos escaninhos da ofensa
que a vida inteira guardaste
como troféu, como glória,
como porto mais seguro
no berço da solidão.

E a morte bebeu-te inteiro -
flor consumida de arrimos
ao segredo de teu rumo -
foste chamado à resposta.

E eis que te busco e desvelo
nesse mirar de exilado:
trago boninas, de leve,
e um beijo puro aos teus dedos
que transitaram poemas.

Ymah Théres em Meu Amores...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Eu te amo mais que a vida...

Amor que foi escrito nas estrelas...

No fim do universo,
encontra-se o infinito.
Banhado pelo "Mar da Tranquilidade".
Navegando com a "Vela"
e a "Carina" voltada
em direção ao vento solar,
ou nas asas do "Pégaso"
pretendo minha "Virgem" encontrar.

Nas correntes de "Andrômeda"
ou na jaula do "Leão"
meu coração não teme,
pois tem alma de "Caçador".

Vou pedir "Pintor" desse infinito
vou orar em seu "Altar"
pedir para que lhe traga até mim.

Somos almas "Gêmeas"
Nos queremos como
a "Ursa" quer o mel,
nos amamos como um "Escultor"
ama a sua obra de mais valor...

Voce é meu quadro
Eu sou o "Pintor"
Está escrito nas estrelas
que iremos morrer de amor...

E renascer...

Pois nosso amor é uma "Fênix".








segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Casebre

Foi a estiagem


E o silêncio depois.


Nem sinal de planta
nem restos de árvore
no cenário ressequido
da planície:

O casebre apenas
de pedra solta
e uma lembrança aflitiva.

O teto de palha
levou-o
a fúria do sueste.

Sem batentes
as portas e as janelas
ficaram escancaradas
para aquela desolação.

Foi a estiagem que passou.

Nestes tempos
não tem descanso
a padiola mortuária
da regedoria.

Levou primeiro
o corpo mirrado da mulher
com o filho nu ao lado
de barriga inchada
que se diria
que foi de fartura que morreu.
O homem depois
com os olhos parados
abertos ainda.

Tão silenciosa a tragédia das secas nestas ilhas!
Nem gritos nem alarme
— somente o jeito passivo de morrer!

No quintal do casebre
três pedras juntas
três pedras queimadas
que há muito não serviram.

E o arco de ferro do menino
com a vareta ainda presa.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Não Passou

Passou?
Minúsculas eternidades
deglutidas por mínimos relógios
ressoam na mente cavernosa.

Não, ninguém morreu, ninguém foi infeliz.
A mão- a tua mão, nossas mãos-
rugosas, têm o antigo calor
de quando éramos vivos.

Éramos?
Hoje somos mais vivos do que nunca.
Mentira, estarmos sós.
Nada, que eu sinta, passa realmente.
É tudo ilusão de ter passado.


Carlos Drummond de Andrade em Meu Amores....

Poema

Na espuma verde
do mar
desenharei o teu nome,

Em cada
areia da praia
em cada
pólen da flor
em cada
gota do orvalho
o teu nome
deixarei gravado

No protesto calado
de cada homem ultrajado
em cada insulto
em cada folha caída
em cada boca faminta
hei de escrever o teu nome

Nos seis férteis
das virgens
nos sorrisos perenes
das mães
nos dedos dos namorados
no embrião da semente
na luz irreal das estrelas
nos limites do tempo
hei de uma esperança semear.

Antônio Mendes Cardoso em Meu Amores...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Testamento para o dia claro.

Quando do fundo da noite vier o eco da última palavra submissa
E a patina do tempo cobrir a moldura do herói derradeiro,

Quando o fumo do último ovo de cianeto
Se dissipar na atmosfera de gases rarefeitos
E a chama da vela da esperança
Se acender em sol na madrugada do novo dia

Quando só restar na franja da memória
Lapidada pelo buril dos tempos ácidos
A estria da amargura inconseqüente
E a palavra da boca dos profetas
Não ricochetear no muro do concreto
Da negrura sem fundo de um poço submerso

Sejais vós ao menos infância renovada da minha vida
A colher uma a uma as pétalas dispersas
Da grinalda dos sonhos interditos.

Desnecessária explicação.

Que importa a melodia,
se acaso aos outros dou,
com pávida alegria,
o pouco que me sou?

Que importa ao que me sabe
estar só no meu caminho,
se dentro de mim cabe
a glória de ir sozinho?

Que importa a vã ternura
das horas magoadas,
se ao meu redor perdura
o eco das passadas?

Que importa a solidão
e o não saber onde ir,
se tudo, ao coração,
nos fala de partir?


Daniel Felipe em Meu Amores.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Canção dos Rapazes da Ilha.

Essa poesia é uma coisa linda. Geralmente nunca digo isso. O poeta é de Cabo Verde, uma ilhazinha no Atlântico. Por isso me tocou tanto. Eu cresci em uma ilha, em uma cidade do interior de Minas Gerais, cercada pela represa de Três Marias. Por muito tempo, eu era quem ficava e o sonho ia, por quantas vezes isso aconteceu, meus sonhos foram e eu fiquei. Entendo o que ele dizia...

Poesia de Aguinaldo Fonseca, Poeta de Cabo Verde.




Eu sei que fico.
Mas o meu sonho irá
Levado pelo vento, pelas nuvens, pelas asas.

Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá ...
Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá Nos frutos, nos colares
E nas fotografias da terra,
Comprados por turistas estrangeiros
Felizes e sorridentes.
Eu sei que fico mas o meu sonho irá ...

Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá
Metido na garrafa bem rolhada
Que um dia hei de atirar ao mar.

Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá ...

Eu sei que fico
Mas o meu sonho irá
Nos veleiros que desenho na parede.

O último...

O último véu que se rasga
a última tábua que se quebra,
o último sol que se apaga,
A última planta que se rega.

O último fogo
a última brisa
o último olhar
a última folha que cai.

Eis que o inverno,
eis que o verão
eis que a primavera
não é mais uma estação.

E tudo se finda
assim como começa
o fôlego sempre acaba,
enquanto estamos com pressa.

Devagar se vai ao longe,
mas cansamos de esperar
e enquanto mais nos apressamos,
fazemos tudo acabar.

A vida deve ser vivida com calma,
e com tudo ao seu tempo,
pois a pressa em demasia
é correr atrás do vento.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Fidelidade

Eu sou fiel a Mim,
espero pacientemente
que Mim seja tão fiel a Eu.

Enquanto Eu me esforço
a ser fiel a Mim
Mim insiste em não ser
fiel.

Complicado! Mas esplico:

Mim sou Eu,
Eu sou Mim,
Faço tudo para
que eu seja fiel a mim.
Para que faça aquilo que acredito
ser certo para minha vida.
Mas eu mesmo insisto em errar,
em tentar de novo.
O grande segredo: Errar,
mas insistir ao máximo.
Para que o Mim seja fiel ao Eu.

Assim insistirei,
serei fiel a mim

esperando que mim
seja fiel a eu
Por toda minha vida.