sexta-feira, 26 de abril de 2013

Garimpo

E pego sem inspiração, e nada
Nada inspira, nada sinto,
Assim como anestesia.
Me fogem as palavras.
Do rearranjo que sempre me estão
Na mente, e mentem.

E me sinto como um nada,
Perdendo o que me torna eu,
Que me torna humano, perfeito,
Sublime, o que me leva ao infinito.

E é nessas horas que ajoelho,
E oro, agradeço ao Criador.
Sinto que faltarão as palavras,
Faltará inspiração.
Nem sempre as palavras serão estrelas,
Que se juntam em minha cabeça para formar o universo.

Às vezes serão difícil, como a lavra,
O garimpo em que meus antepassados
Ganharam a vida, serão difíceis,
Serão profundas, terei que cavucar,
Pedras duras para trazê-las à tona.

E como que mágica, com que não consigo explicar.
Estarão neste papel e em outros.
E cada vez que ocorrer.
Estarei pensando exatamente que agora,
Cada uma dessas palavras, que foram difíceis,
Me lembrarão de que não as consegui.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

E foi.

Perdão querida, não me retorne ao passado.
Não tenho mais a timidez, o tempo tratou de levar.
Desculpe-me, não sou mais aquele, que um dia,
Inocentemente a prometeu amar...

Pus a perna no mundo, descobri, cresci.
Desci do velha árvore, pus os pés no chão,
E me preparo para voar, ao infinito.
Um dia, talvez, volte.

Os dias da vida consomem-se, findam.
E ainda que fizesse sentido voltar, não quereria.
Estou exatamente no meu lugar, e é este.
Não estou só, tenho todo amor, tenho toda paz.

Não tente retornar o que está morto.
A morte enfim, leva ao esquecimento,
Que enfim leva-nos a renascer, e como fênix,
Que das cinzas reagrupa-se, e revive.

Não me espere, me esqueça.
Não irei mais voltar.


De Prudêncio e Bertolo em Meu Amores...

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Por outra vez

Ouço o som da música,
E esta me leva dez anos no tempo.
Há dez anos não me imaginava,
Hoje ainda não imagino.
Não sou que quis ser,
Sou o que a natureza formou.
A pedra do rio que despenca
Cheia de espículas e desce o rio,
E ao final de sua jornada se arredonda.

Sou como a grama, a erva,
que é arrancada, moída, queimada.
Mas nasce outra vez,
Que é cortada frequentemente,
Mas insiste em continuar de pé.

Diga a Deus, ao Senhor do universo,
Ainda não estou pronto,
Sou um pouco arredio,
Peço mais uma volta do mundo,
Para sofrer um pouco mais,
Para chorar uma vez mais.
E insistir teimosamente em me por de pé.