O avião,
súbito pássaro de fogo,
caiu sobre nossas casas.
Morreram os que voavam para longe,
confiantes nas grandes asas metálicas.
Morreram os que viajavam cá embaixo,
pisando o chão de cada dia.
Dentre os escombros,
retiramos pedaços de corpos,
como quem colhesse flores sem vida.
São restos humanos, quase nada,
que mesmo assim carregamos como relíquias.
O avião caiu sobre nossas cabeças.
Fui eu o único sobrevivente.
E ainda caminho entre os escombros.
Samuel Penido em Meu Amores...
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