quinta-feira, 31 de março de 2011

Transportou-me

De tantos e tantos
e tantos, dias.
Como posso eu,
simples humano,
jovem,
interiorano.
Eu lá vou entender?

Entender enigmas,
segredos, mistérios
que todos os dias
descubro, mas
nunca decifro.
Mistérios
que novos são a cada dia.

Os mistérios dos olhos,
do corpo que me transporta.
Em seu carro,
engrenagem medonha.
Negros olhos, que mesmo antes
os conheci.
Perto está de quem conheço,
talvez o erro esteja aí.
Como posso eu entender
que mesmo tendo certeza,
ainda desejo duvidar
se a dúvida me der transporte,
a seu carro.
Prata.
O ouro dos tolos...

Fui Eu...

O avião,
súbito pássaro de fogo,
caiu sobre nossas casas.
Morreram os que voavam para longe,
confiantes nas grandes asas metálicas.
Morreram os que viajavam cá embaixo,
pisando o chão de cada dia.

Dentre os escombros,
retiramos pedaços de corpos,
como quem colhesse flores sem vida.
São restos humanos, quase nada,
que mesmo assim carregamos como relíquias.

O avião caiu sobre nossas cabeças.
Fui eu o único sobrevivente.
E ainda caminho entre os escombros.


Samuel Penido em Meu Amores...

terça-feira, 29 de março de 2011

Sou assim.

Sou assim
assim eu sou,
doidamente
estranho sou.
Tão estranho
que ás vezes
me estranho.
E quando rio,
Deus me acuda.
E quando choro,
choro um oceano
e quando amo,
amo demais...



Chico Miranda em Meu Amores...

segunda-feira, 28 de março de 2011

Saudade

A saudade é um parafuso
que na rosca quando cai
só entra se torcendo
porque batendo não vai,
e se enferrujar por dentro
pode quebrar que não sai...


Antônio Pereira em Meu amores...

sexta-feira, 25 de março de 2011

Pergunte à noite estrelada,
Interrogue a madrugada,
A cada flor que se vê.

Pegunte à serena Lua,
às próprias pedras da rua,
Se eu gosto ou não de você.

Pergunte ao sol palpitante,
À estrela rutilante,
ou a Deus, que tudo vê.

Pergunte à minha razão,
Pergunte ao meu coração,
Se eu gosto ou não de você.

Então verás comovida
Que no céu, na Terra, em tudo é sabido,
Aquilo que somente você não vê.

E sentirás no peito
O mesmo amor e respeito
Que eu dediquei a você...


Homenagem ao Sertão do Pajeú, o Vale dos Poetas em Penambuco...

quarta-feira, 23 de março de 2011

Falta que faz...


Sempre procuro,
ou procurei alguém
que procuro
de tanto procurar.

Alguém a quem destinar meus versos
minhas estrelas
meus mares
minhas terras,
em cartas que tenho
de marcas que venho.
Ou de cartas que venho
em marcas que tenho.

Destino meus versos a mim mesmo
ao âmago que afago
e sinto o sabor amargo,
do fel do meu desejo.

São duas, três, quatro, infinitas...
Ao mesmo tempo apenas uma
ou nenhuma,
minha vontade.

A falta que faz,
de sentir a falta em tudo
mesmo com tudo
debaixo de minhas mãos...
Saber que todo meu amor
meu suor, transpiração
minhas idéias serão,
me pego otimista.
Já são
Lançadas no esquecimento,
E meu grande lamento
abandonado à perdição...