sexta-feira, 4 de julho de 2008

Só hoje tô min alembrano qui tu era minha vizinha!

A postagem de baixo seria meu único cordel a ser postado. Mas encontrei uma pérola de valor inestimável, vendi tudo que eu tinha para comprá-la, metaforicamente.

Só hoje tô me alembrano qui tu era minha vizinha!

de Airam Ribeiro

Antonci naquela tapera
Era tu qui tava lá?
E tava a minha ispera
E eu nada de ali xegá?
Moremo fundo cum fundo
Mais qui ingrato é o mundo
De nun fazê nóis se aproxegá.

Qui distino de nóis dois
Num pegá a filicidadi
Só mutios anos despois
Te vejo aqui na cidadi.
Tão juntin nóis tivemo
Nunca qui nóis incrontemo
Quanta dificulidade!

Cum ôtro tu foi vivê
Bem distanti da tapera
Tu agora min fez revivê
Tô alembrano quem era.
Fartô pôco, por um triz,
Nóis dois ia cê feliz
Já min alembro, foi divéra!

Cum outra eu tô viveno
Mais eu quiria era ocê
Pur isso é qui tô sofreno!
Agora eu já sei o pruquê.
Ni ôtra opurtunidade
Nóis pega a felicidade
Te prumeto, tu vai vê.

Claraluna arresponde para eu:

O distinu é traiçuêru
Temu qui riconhecê,
Ti amei u tempu intêru
Sem nunca ocê sabê.

Ocê casado cum otra
Teve inté fio cum ela,
Sunhei cuntigu, qui loca,
Mais tua vida era dela.

Quano vim cá pra cidadi
Nunca mais sube docê,
Mais ficô esta sodadi,
Qui só mi lembra u sofrê.

Agora tá muito tardi
Nóis num podi si amá,
Siria um atu covardi
Nossus parcero inganá...



Nota do blogger:

Queria eu com minha multidão de palavras
Como Airam expressar
Esse sentimento tão intenso
Que humilhou completamente o meu falar.

Sem Ortoépia ou Prosódia
Apenas o coração falou
Quando amontoei palavras difíceis,
Foi o meu coração que se calou.


Obrigado Airam, por me mostrar como se faz poesia de verdade.

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