terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A mulher que passa

Meu Deus, eu quero a mulher que passa 
Seu dorso frio é um campo de lírios 
Tem sete cores nos seus cabelos 
Sete esperanças na boca fresca! 
Oh! como és linda, mulher que passas 
Que me sacias e suplicias 
Dentro das noites, dentro dos dias! 
 


Teus sentimentos são poesia 
Teus sofrimentos, melancolia. 
Teus pelos leves são relva boa 
Fresca e macia. 
Teus belos braços são cisnes mansos 
Longe das vozes da ventania. 
 


Meu Deus, eu quero a mulher que passa! 
 


Como te adoro, mulher que passas 
Que vens e passas, que me sacias 
Dentro das noites, dentro dos dias! 
Por que me faltas, se te procuro? 
Por que me odeias quando te juro 
Que te perdia se me encontravas 
E me concontrava se te perdias? 
 


Por que não voltas, mulher que passas? 
Por que não enches a minha vida? 
Por que não voltas, mulher querida 
Sempre perdida, nunca encontrada? 
Por que não voltas à minha vida 
Para o que sofro não ser desgraça? 
 


Meu Deus, eu quero a mulher que passa! 
Eu quero-a agora, sem mais demora 
A minha amada mulher que passa! 
 


Que fica e passa, que pacífica 
Que é tanto pura como devassa 
Que bóia leve como a cortiça 
E tem raízes como a fumaça.

 


Vinícius de Moraes em Meu Amores...

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
De vivo luzir, 
Estrelas incertas, que as águas dormentes 
Do mar vão ferir;

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, 
Têm meiga expressão, 
Mais doce que a brisa, — mais doce que o nauta 
De noite cantando, — mais doce que a frauta 
Quebrando a solidão,

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, 
De vivo luzir, 
São meigos infantes, gentis, engraçados 
Brincando a sorrir.

São meigos infantes, brincando, saltando 
Em jogo infantil, 
Inquietos, travessos; — causando tormento, 
Com beijos nos pagam a dor de um momento, 
Com modo gentil.

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, 
Assim é que são; 
Às vezes luzindo, serenos, tranquilos, 
Às vezes vulcão!

Às vezes, oh! sim, derramam tão fraco, 
Tão frouxo brilhar, 
Que a mim me parece que o ar lhes falece, 
E os olhos tão meigos, que o pranto humedece 
Me fazem chorar.

Assim lindo infante, que dorme tranquilo, 
Desperta a chorar; 
E mudo e sisudo, cismando mil coisas, 
Não pensa — a pensar.

Nas almas tão puras da virgem, do infante, 
Às vezes do céu 
Cai doce harmonia duma Harpa celeste, 
Um vago desejo; e a mente se veste 
De pranto co'um véu.

Quer sejam saudades, quer sejam desejos 
Da pátria melhor; 
Eu amo seus olhos que choram em causa 
Um pranto sem dor.

Eu amo seus olhos tão negros, tão puros, 
De vivo fulgor; 
Seus olhos que exprimem tão doce harmonia, 
Que falam de amores com tanta poesia, 
Com tanto pudor.

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, 
Assim é que são; 
Eu amo esses olhos que falam de amores 

Com tanta paixão.

Gonçalves Dias em Meu Amores.  Eu amo esses olhos que falam de amores, com tanta paixão.

Poesia

Como se ama o calor e a luz querida,
A harmonia, o frescor, os sons, os céus,
Silêncio, e cores, e perfume, e vida,
Os pais e a pátria e a virtude e a Deus:

Assim eu te amo, assim; mais do que podem
Dizer-to os lábios meus, — mais do que vale
Cantar a voz do trovador cansada:
O que é belo, o que é justo, santo e grande
Amo em ti. — Por tudo quanto sofro,
Por quanto já sofri, por quanto ainda
Me resta de sofrer, por tudo eu te amo.
O que espero, cobiço, almejo, ou temo
De ti, só de ti pende: oh! nunca saibas
Com quanto amor eu te amo, e de que fonte
Tão terna, quanto amarga o vou nutrindo!
Esta oculta paixão, que mal suspeitas,
Que não vês, não supões, nem te eu revelo,
Só pode no silêncio achar consolo,

Na dor aumento, intérprete nas lágrimas

Gonçalves Dias em Meu amores...


Triste quem ama, cego quem se fia

Nascemos para amar; a humanidade
Vai tarde ou cedo aos laços da ternura.
Tu és doce atrativo, ó formosura.
Que encanta, que seduz, que persuade:

Enleia-se por gosto a liberdade;
E depois que a paixão n'alma se apura,
Alguns então lhe chamam desventura,
Chamam-lhe alguns então felicidade:

Que se abisma nas lôbregas tristezas,
Qual em suaves júbilos discorre,
Com esperanças mil na idéia acesas:

Amor ou fesfalece, ou pára, ou corre:
E, segundo as diversas naturezas.
Um porfia, este esquece, aquele morre.

Essa é umas das antigas... Manuel M. B. du Bocage em Meu amores.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Soneto

Mancebos! De mil louros triunfantes
Adornai o Moisés da mocidade,
O Anjo que nos guia da verdade
Pelos doces caminhos sempre ovantes.

Coroai de grinaldas verdejantes
Quem rompeu para a Pátria nova idade,
Guiando pelas leis sãs da amizade
Os moços do progresso sempre amantes.

Vê, Brasil, este filho que o teu nome
Sobre o mapa dos povos ilustrados
Descreve qual o forte de Vendôme.

Conhece que os Andradas e os Machados
,Que inda vivem nas asas do renome
Não morrem nestes céus abençoados;


Castro Alves em Meu Amores...

sábado, 13 de dezembro de 2008

Toda arte que eu faço

todo som entoado,

não é mais que uma vontade

de Te conhecer...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O Cabelo...

Descreve as cores,
Escreve as flores.

Todas se encontram de uma só vez
e o universo se comprime ali,
tudo quanto criado então,
uma das maravilhas da criação.

A flor que se escondia
no cabelo mais bonito
em uma mistura de tanta cor,
tranformou o cabelo na própria flor.

Luana e seu cabelo,
nem aparece mais o luar
tem agora tanta beleza
que fez a lua se apagar.

Tanta cor,
tanta beleza
que nem a própria natureza

seria capaz de criar...