Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos,um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!
Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos conforta...
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!
Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí,como quem tudo repele,
-Velho caixão a carregar detroços-
Levando apenas na tumbal carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!
Augusto dos Anjos em Meu Amores...
terça-feira, 12 de agosto de 2008
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Traduzindo-se
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
Ferreira Gullar
domingo, 10 de agosto de 2008
Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.
Pablo Neruda em Meu Amores...
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.
Pablo Neruda em Meu Amores...
Acontece
Bateram à minha porta em 6 de agosto,
aí não havia ninguém
e ninguém entrou, sentou-se numa cadeira
e transcorreu comigo, ninguém.
Nunca me esquecerei daquela ausência
que entrava como Pedro por sua causa
e me satisfazia com o não ser,
com um vazio aberto a tudo.
Ninguém me interrogou sem dizer nada
e contestei sem ver e sem falar.
Que entrevista espaçosa e especial!
Pablo Neruda em Meu Amores...
aí não havia ninguém
e ninguém entrou, sentou-se numa cadeira
e transcorreu comigo, ninguém.
Nunca me esquecerei daquela ausência
que entrava como Pedro por sua causa
e me satisfazia com o não ser,
com um vazio aberto a tudo.
Ninguém me interrogou sem dizer nada
e contestei sem ver e sem falar.
Que entrevista espaçosa e especial!
Pablo Neruda em Meu Amores...
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
A Obsessão do Sangue
Acordou, vendo sangue... - Horrível! O osso
Frontal em fogo... Ia talvez morrer,
Disse. olhou-se no espelho. Era tão moço,
Ah! certamente não podia ser!
Levantou-se. E eis que viu, antes do almoço,
Na mão dos açougueiros, a escorrer
Fita rubra de sangue muito grosso,
A carne que ele havia de comer!
No inferno da visão alucinada,
Viu montanhas de sangue enchendo a estrada,
Viu vísceras vermelhas pelo chão ...
E amou, com um berro bárbaro de gozo,
O monocromatismo monstruoso
Daquela universal vermelhidão!
Augusto do Anjos em Meu Amores...
Frontal em fogo... Ia talvez morrer,
Disse. olhou-se no espelho. Era tão moço,
Ah! certamente não podia ser!
Levantou-se. E eis que viu, antes do almoço,
Na mão dos açougueiros, a escorrer
Fita rubra de sangue muito grosso,
A carne que ele havia de comer!
No inferno da visão alucinada,
Viu montanhas de sangue enchendo a estrada,
Viu vísceras vermelhas pelo chão ...
E amou, com um berro bárbaro de gozo,
O monocromatismo monstruoso
Daquela universal vermelhidão!
Augusto do Anjos em Meu Amores...
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Quem sabe assim...
Ser-me ei livre de mim,
Quando de olhos cerrados
a noite não findar
e os meus sonhos, desejos
e medos o tempo levar.
Não serei mais eu,
quem a tua face verá.
Todo o meu amor
jamais findará,
mas meu corpo inerte
não mais o demonstrará.
Ver-te-ei não mais
Sentir-te ei não mais
Amarte-te ei não mais.
Viverei não mais.
Quem sabe assim eu seja feliz...
Não sei porque, mas esses dias ando sendo muito inspirado pelo ultra-romantismo. Deve ser a TPM. kkkkkkkkkkkkkkkk. Voltando à seriedade, os últimos dias tem sido os mais ultra-românticos da minha vida, e assim sendo, não consigo explicar o porquê.
Mas fica a poesia, que escrevi na aula de endodontia dessa terça feira.
Nova vida, nova inspiração...
Quando de olhos cerrados
a noite não findar
e os meus sonhos, desejos
e medos o tempo levar.
Não serei mais eu,
quem a tua face verá.
Todo o meu amor
jamais findará,
mas meu corpo inerte
não mais o demonstrará.
Ver-te-ei não mais
Sentir-te ei não mais
Amarte-te ei não mais.
Viverei não mais.
Quem sabe assim eu seja feliz...
Não sei porque, mas esses dias ando sendo muito inspirado pelo ultra-romantismo. Deve ser a TPM. kkkkkkkkkkkkkkkk. Voltando à seriedade, os últimos dias tem sido os mais ultra-românticos da minha vida, e assim sendo, não consigo explicar o porquê.
Mas fica a poesia, que escrevi na aula de endodontia dessa terça feira.
Nova vida, nova inspiração...
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Na Volta... Ah! Os Relógios
Olááááá!!! Leitores de Meu Amores... Desculpem-me o tempo sem postagens, é que devido à volta às aulas da minha Universidade, não pude acessar. Mas agora, diretamente de Itaúna MG, está no ar mais uma vez o nosso blog...
E para comemorar, um autor inédito... Mário Quintana...
Ah! Os Relógios
Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...
Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.
Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.
E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...
E para comemorar, um autor inédito... Mário Quintana...
Ah! Os Relógios
Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...
Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.
Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.
E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...
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