sexta-feira, 15 de junho de 2012

Abril.

Curtos são os sóis,
Que atravesso a cada dia,
Vivo eterna agonia,
Em tempo que destróis.

Tapetes de relva madura,
Florestas escuras enfim,
Não tenho nesta clausura,
Direito de tê-las a mim.

Prisão que é a beleza,
Inteira, interna, fugaz.
As noites em claro, tristeza,
À mente ela finda me traz.

Os olhos então marejados,
Vislumbram passado gentil,
Saúde e desejo finados,
Das noites quentes de abril...

De Prudêncio de Bertolo em Meu Amores!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Soneto

Esta noite tive um sonho,
De tão completo e real,
Contemplei minha morte.
Descubro um não ser imortal.

Neste sonho estive só
Permaneci perplexo,
Tentando conter o reflexo,
De tornar-me outra vez ao pó.

Contemplei meu último fôlego,
O suspiro que foi o final,
Vi exatamente o quando, a hora e dia.

Caí então deste corpo
Sôfrego, imundo, irreal
Morri etéreo, envolto, intoxicado de poesia.


De Prudêncio e Bertolo em Meu Amores.