segunda-feira, 23 de março de 2009

Meninos e Meninas

Todos já vimos
  nos livros, nos jornais, no cinema e na televisão
  retratos de meninas e meninos
  a defender a liberdade de armas na mão.


  Todos já vimos
  nos livros, nos jornais, no cinema e na televisão
  retratos de cadáveres de meninos e meninas
  que morreram a defender a liberdade de armas na mão.


  Todos já vimos!

  E então?

Fernando Sylvan em Meu Amores

sexta-feira, 20 de março de 2009

Blog em reforma... Aguardem...

O terremoto.

Talvez seja um milagre,
hoje descobri.
Encontrei.
O que me acaba, me agonia.

O que me quebra
comove,
prende,
repugna. O que entra,
e o que sai.

Irrita, delira, castiga, enfastia.
Engole, digere, pune, acaba.

Existe apenas uma pessoa no mundo que conheço,
somente ela me conhece,
me dá medo.

Eu.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Venho pedir desculpas aos poucos mas fiéis leitores (em sua maioria leitoras). Não que o espírito criativo venha sendo sufocado, mas não escrevo tão frequentemente pela falta de tempo. A universidade tem sugado quase toda minha energia...

Pretendo escrever mais frequentemente a partir de agora... Um grande abraço...

Meu Amores, nova vida, nova inspiração...

Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Carlos Drummond de Andrade em Meu Amores... Depois de tanto tempo...

sexta-feira, 6 de março de 2009

Avoou...

Avoou...

O último pombo correio.
Levou duas cartas,
cartas para duas pessoas.

Entregues foram? Espero que sim
e espero que não.
Se assim fosse saberiam exatamente
o que dizem os versos,
o que o poeta sente.

Espero resposta
resposta das duas,
respostas curtas ou breves
apenas respostas suas.

Ó grande carteiro,
traga notícias.

Aguardo ansiosamente...

Chuva

Chuva que lava o ressequido telhado
leva a poeira dos dias,

chuva de água luminosa
cristalinos cachos de transparências

chuva que canta nas telhas
canção no vão das calhas

da chuva o enlevo
ao sonho nos leva
águas despertas

chuva de finos fios
na mansidão da noite
encontro de encantos

luz na imensidão
pingos dourados
na face da rainha das águas

chove perdão
suas lágrimas
de água doce.

Sentimento em duas vias

Um amor afoito é o meu
Um amor às claras
Um amor no escuro
Apaguei o passado
Planejei o futuro
Em uma folha
De papel carbono
Registrei cada momento
Em duas vias
Todo o sentimento
Como garantia
Do meu amor

terça-feira, 3 de março de 2009

Fugazes

 Sobre a alvura e o vazio da página
voejam idéias e anjos.

Há que puxá-los pelas asas rápidas,

que não se rompa o fio da candura.

Cuidado com o cetim da vestimenta

e o arisco vagalume das espáduas.


E há que entretê-los - que não se extraviem
ou se desfaçam a algum ledo engano.
 Há que agarrá-los pelas mãos de nuvens,
aprisioná-los nesse escasso armário.

Asas abertas sobre brancas folhas,
voam anjos de túnicas fugazes
 trançando em dedos frágeis alguns fios
da vasta cabeleira das palavras.

Sonata

 O corpo - presilha verde

  na rede da vida imersa

  pouco a pouco se dissipa

  dos loucos búzios, dos mares.





  Vira um lago, uma enseada

  em que os espelhos transmigram

  o corpo - corpo bebido

  de veneno, morte lenta.





  O corpo - metade breve

  de arlequinadas memórias

  nos mastros ocres da angústia

  na devassa de ilusão.





  Irmão vencido na guerra

  das horas por sobre as horas

  dos anos idos, dos vindos

  o corpo - flor decepada.





  Da haste, um relógio-pênsil

  que se alteia e se debruça

  nos movediços da argila

  o corpo - ferida aberta.





  Bola de neve que o tempo

  brinca brinca de escurar

  jasmim que perde seu viço

  o corpo - luz que se apaga.





  Dos imos do coração

  uma canção que trescala

  o corpo, breve que passa

  no arranho da solidão.

Ymah Théres em Meu Amores...