Dos lábios que me beijaram
dos braços que me abraçaram,
Já não me lembro, nem sei...
São tantas as que me amaram!
São tantas as que amei!
Mas tu - Que rude contraste
Tu, que jamais me beijaste,
Tu que jamais abracei,
Só tu, nestalma ficaste,
De todas as que eu amei.
Paulo Setúbal em Meu amores...
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
sábado, 28 de agosto de 2010
Cresce dentro de mim, doloroso, humilde pranto;
Alma surda e esquizofrênica, inútil de tristezas,
Desertei da vida pela aspiração do amargo canto
E mesmo assim ainda tive que banhar-me de torpezas;
Quem agora irá prover a insanidade do meu sonho,
Eu, que sempre tive o bem ajustado e negro desvario
De nunca permanecer nas proporções onde me ponho,
Errante e só, comandado pela minha bússola de desvio
Sempre a refulgir, nos oceanos de uma sinistra paz;
Meu reino imbecil, descoberto por defeituoso impostor,
Repetente de todas as classes da infâmia sempre audaz;
Minha terra sombria de obscenidade, na voz de um homem
A quem determinaram inteira sujeição ao destino opressor,
Abençoado, enquanto vida tiver, as horas que me consomem!
Jorge Nascimento em Meu Amores...
Alma surda e esquizofrênica, inútil de tristezas,
Desertei da vida pela aspiração do amargo canto
E mesmo assim ainda tive que banhar-me de torpezas;
Quem agora irá prover a insanidade do meu sonho,
Eu, que sempre tive o bem ajustado e negro desvario
De nunca permanecer nas proporções onde me ponho,
Errante e só, comandado pela minha bússola de desvio
Sempre a refulgir, nos oceanos de uma sinistra paz;
Meu reino imbecil, descoberto por defeituoso impostor,
Repetente de todas as classes da infâmia sempre audaz;
Minha terra sombria de obscenidade, na voz de um homem
A quem determinaram inteira sujeição ao destino opressor,
Abençoado, enquanto vida tiver, as horas que me consomem!
Jorge Nascimento em Meu Amores...
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Economia
Quando economizo
o uso do sentimento
apago as luzes do coração
desligo os receptores da alma.
Custo muito alto
que onera o orçamento
do fim da minha vida.
É talvez a única sobra
em que...
Sobra alguma tristeza
na falta
da falta que faz
do economia que nunca traz
de volta o sentimento perdido.
Ausência de sentimento
reservado,
tragado ao universo.
E toda essa economia,
para que?
o uso do sentimento
apago as luzes do coração
desligo os receptores da alma.
Custo muito alto
que onera o orçamento
do fim da minha vida.
É talvez a única sobra
em que...
Sobra alguma tristeza
na falta
da falta que faz
do economia que nunca traz
de volta o sentimento perdido.
Ausência de sentimento
reservado,
tragado ao universo.
E toda essa economia,
para que?
terça-feira, 13 de julho de 2010
Ah como o tempo,transforma.
Quanto tempo se passou.
Não mais 16 anos,
agora nem sou tão velho.
Alguns centímetros,
uns quilos
digo toneladas,
de uma beleza rara
de uns cabelos negros
de uns olhos verdes.
Estes não mudaram,
já eram tão verdes
apenas se rearranjaram
no universo do seu rosto,
corpo.
Quantos anos se passaram,
quatro anos e meio,
meio assim,
que talvez tenha completado
inteiramente o conjunto.
Um dia contemplei tanta beleza,
E era Domingo.
Quanto tempo se passou.
Não mais 16 anos,
agora nem sou tão velho.
Alguns centímetros,
uns quilos
digo toneladas,
de uma beleza rara
de uns cabelos negros
de uns olhos verdes.
Estes não mudaram,
já eram tão verdes
apenas se rearranjaram
no universo do seu rosto,
corpo.
Quantos anos se passaram,
quatro anos e meio,
meio assim,
que talvez tenha completado
inteiramente o conjunto.
Um dia contemplei tanta beleza,
E era Domingo.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
O Amor é:
Cela que aprisiona o vazio,
É o calor que congela todo o frio
Soldado da guerra da renúncia
Sombra que persegue o perdão
Palhaço que desarma a bagunça
O espinho que arranha a maldade
Vício no prazer da liberdade
Espelho que emagrece todo ego...
Pétala rebelde no outono
Primavera que se humilha ao deserto
Sol do meio-dia no verão
Mãe que se atira no inverno
Maestro do concerto da espera...
Vaidade que se orgulha da impotência
Caravela que descobre a inocência
Dor na cruz por quem não merecia...
É o calor que congela todo o frio
Soldado da guerra da renúncia
Sombra que persegue o perdão
Palhaço que desarma a bagunça
O espinho que arranha a maldade
Vício no prazer da liberdade
Espelho que emagrece todo ego...
Pétala rebelde no outono
Primavera que se humilha ao deserto
Sol do meio-dia no verão
Mãe que se atira no inverno
Maestro do concerto da espera...
Vaidade que se orgulha da impotência
Caravela que descobre a inocência
Dor na cruz por quem não merecia...
sábado, 22 de maio de 2010
Poema sobre a recusa
Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus
dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva
Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de
ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus
dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva
Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de
ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda
Maria Tereza Horta em Meu Amores...
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