domingo, 6 de outubro de 2013

Estás a eternamente a ser noiva.
Noiva de um viajante.
Talvez corsário, que,
Para sempre pertencerá ao mar.

E a ficar eternamente, à beira,
Do porto, da rodovia, da rodoviária.
A espreita, esperançosa,
De que um dia a viagem chegue ao fim.

Condenaste a ti mesma, no momento.
Em que teus olhos azuis,
Cruzaram de relance os meus.
Algemaste-te à ausência.
À viuvez sem morte;

E o tempo passará, e como passa,
E dia após dia estarás, como sempre,
Sozinha, etérea.
E noite após noite, só verá o negro.
Talvez luz refletida em gotas.

Estás condenada a ser rainha,
Com benesses e vícios.
Porém rainha, soberana,
De um príncipe sempre em guerra.
E que na dúvida
Cruel e penetrante,
De que volte mais um dia vivo.


De Prudêncio e Bertolo em MeuAmores.