quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Da esposa e da amante...
A medicina é esposa,
Me acorda às madrugadas,
Me esgota de dia,
Entorpece à noite e da rotina,
Me faz escravo.
Existe amor de esposa.
A poesia é amante,
Daquele amor mais fugaz,
Que vem chega e arrebata.
É amor de chamego, é amor de escolha.
É amor que acaba.
Existe amor de amante.
Queria não ter a escolha,
Digo não ter que escolher.
A esposa odeia a amante,
É arte ao não ser, é cínica.
A amante odeia é a mim,
Não me sai do pensamento.
Talvez um dia a esposa,
Essa sim me possa salvar,
Talvez me desintoxicar
Do amor da amante,
Amor que arranha, amor que arranca,
De mim o desejo de ser,
Completamente da esposa.
A medicina é só minha esposa,
Minha amante mesmo é a poesia...
De Prudêncio e Bertolo em Meu Amores...
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