Vinte e um me chegaram
É mais um ano que passo
Sem teu beijo e teu abraço
O que vou comemorar?
Que graça tem esta data
Que já me foi importante
Mas por tu estar distante
Não tenho o que festejar
Eu rejeitei os convites
Que muitos tinham me feito
Rejeitei por que no peito
Trago uma dor sem tamanho
Dor essa de tão gigante
Me fez deixar de beber
E agora passo a viver
Como eu num ser estranho
Eu sei que não sou o mesmo
Que vivi de cana e festa
Pois a minha vida é esta
Cheia de dificuldade
Eu que fui tão sociável
Prefiro viver sozinho
Igualmente um passarinho
Que perdeu a liberdade
Parabéns de que? pergunto:
Parabéns por mais um ano
De tristeza e desengano
Que passo nesse lugar,
Por que não os pêsames?
Pois cada ano que avança
Vai morrendo a esperança
De quem jurou te amar
Welton Melo em Meu Amores... De que adianta?
sábado, 21 de maio de 2011
Nem tudo que passa a gente esquece
Passa o dia por mês e mês por ano
Passa ano por era, era por fase
Nessa fase tão triste eu vejo a base
Do destino passar de plano em plano
Com a mão da saudade o desengano
Passa dando um adeus fazendo um S
Vem a mágoa o prazer desaparece
Quando chega a velhice, foge a graça,
Passa tudo na vida, tudo passa,
Mas nem tudo que passa a gente esquece.
Jó Patriota em Meu Amores...
Passa ano por era, era por fase
Nessa fase tão triste eu vejo a base
Do destino passar de plano em plano
Com a mão da saudade o desengano
Passa dando um adeus fazendo um S
Vem a mágoa o prazer desaparece
Quando chega a velhice, foge a graça,
Passa tudo na vida, tudo passa,
Mas nem tudo que passa a gente esquece.
Jó Patriota em Meu Amores...
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Lira IV
Já, já me vai, Marília, branquejando
loiro cabelo, que circula a testa;
este mesmo, que alveja, vai caindo,
e pouco já me resta.
As faces vão perdendo as vivas cores,
e vão-se sobre os ossos enrugando,
vai fugindo a viveza dos meus olhos;
tudo se vai mudando.
Se quero levantar-me, as costas vergam;
as forças dos meus membros já se gastam;
vou a dar pela casa uns curtos passos,
pesam-me os pés e arrastam.
Se algum dia me vires desta sorte,
vê que assim me não pôs a mão dos anos:
os trabalhos, Marília, os sentimentos
fazem os mesmos danos.
Mal te vir, me dará em poucos dias
a minha mocidade o doce gosto;
verás brunir-se a pele, o corpo encher-se,
voltar a cor ao rosto.
No calmoso Verão as plantas secam;
na Primavera, que aos mortais encanta,
apenas cai do Céu o fresco orvalho,
verdeja logo a planta.
A doença deforma a quem padece;
mas logo que a doença faz seu termo,
torna, Marília, a ser quem era d'antes
o definhado enfermo.
Tomás Antônio Gonzaga em Meu Amores...
loiro cabelo, que circula a testa;
este mesmo, que alveja, vai caindo,
e pouco já me resta.
As faces vão perdendo as vivas cores,
e vão-se sobre os ossos enrugando,
vai fugindo a viveza dos meus olhos;
tudo se vai mudando.
Se quero levantar-me, as costas vergam;
as forças dos meus membros já se gastam;
vou a dar pela casa uns curtos passos,
pesam-me os pés e arrastam.
Se algum dia me vires desta sorte,
vê que assim me não pôs a mão dos anos:
os trabalhos, Marília, os sentimentos
fazem os mesmos danos.
Mal te vir, me dará em poucos dias
a minha mocidade o doce gosto;
verás brunir-se a pele, o corpo encher-se,
voltar a cor ao rosto.
No calmoso Verão as plantas secam;
na Primavera, que aos mortais encanta,
apenas cai do Céu o fresco orvalho,
verdeja logo a planta.
A doença deforma a quem padece;
mas logo que a doença faz seu termo,
torna, Marília, a ser quem era d'antes
o definhado enfermo.
Tomás Antônio Gonzaga em Meu Amores...
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Apenas e perfeitamente sonhos...
Se tudo poço
se tudo faço
e em nada toco.
Se o que sou,
é exatamente
aquilo que quis
e em nada toco.
Nada toco
porque
o tocar passaria
às minhas mãos
os sentimentos,
dos olhos,
apenas da mente.
Ao tocar
os tornaria reais
palpáveis,
os traria ao
mundo da realidade.
Não tocarei,
porque espero
que meus sentimentos
fiquem para sempre
em minha mente
do jeito que os sonhei
planejei,
sem todas as falhas
que minhas mãos possuem.
Desejo que meus sonhos
nunca sejam palpáveis,
e que nunca os realize,
e que sejam eternamente
perfeitos,
exatamente como os concebi.
De Prudêncio e Bertolo...
se tudo faço
e em nada toco.
Se o que sou,
é exatamente
aquilo que quis
e em nada toco.
Nada toco
porque
o tocar passaria
às minhas mãos
os sentimentos,
dos olhos,
apenas da mente.
Ao tocar
os tornaria reais
palpáveis,
os traria ao
mundo da realidade.
Não tocarei,
porque espero
que meus sentimentos
fiquem para sempre
em minha mente
do jeito que os sonhei
planejei,
sem todas as falhas
que minhas mãos possuem.
Desejo que meus sonhos
nunca sejam palpáveis,
e que nunca os realize,
e que sejam eternamente
perfeitos,
exatamente como os concebi.
De Prudêncio e Bertolo...
O Burro...
Vai ele a trote, pelo chão da serra,
Com a vista espantada e penetrante,
E ninguém nota em seu marchar volante,
A estupidez que este animal encerra.
Muitas vezes, manhoso, ele se emperra,
Sem dar uma passada para diante,
Outras vezes, pinota, revoltante,
E sacode o seu dono sobre a terra.
Mas contudo! Este bruto sem noção,
Que é capaz de fazer uma traição,
A quem quer que lhe venha na defesa,
É mais manso e tem mais inteligência
Do que o sábio que trata de ciência
E não crê no Senhor da Natureza.
Patativa do Assaré em Meu Amores! Eita Bixigaaa...
Com a vista espantada e penetrante,
E ninguém nota em seu marchar volante,
A estupidez que este animal encerra.
Muitas vezes, manhoso, ele se emperra,
Sem dar uma passada para diante,
Outras vezes, pinota, revoltante,
E sacode o seu dono sobre a terra.
Mas contudo! Este bruto sem noção,
Que é capaz de fazer uma traição,
A quem quer que lhe venha na defesa,
É mais manso e tem mais inteligência
Do que o sábio que trata de ciência
E não crê no Senhor da Natureza.
Patativa do Assaré em Meu Amores! Eita Bixigaaa...
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Soneto da dúvida...
Rever-te em breve dia quem me dera,
E como quero! E na espera eu canto.
Rever-te tanto quero e, no entanto,
Receio finde ali a última quimera.
E nessa solidão de Ideal, portanto,
Transito dia a dia em vil espera.
Mas, no te rever, vai ver me espera:
A pá final de cal sobre o meu canto?
E ainda assim, com o rever-te sonho,
E sinto um sopro de passado redivivo.
Mas o riso se esvai, pois se me ponho,
A todo instante, ao duvidar coercivo:
Vai ver, melhor o recordar tristonho,
A te atestar ao sonho dado o abortivo.
Vicente Bastos em Meu Amores...
E como quero! E na espera eu canto.
Rever-te tanto quero e, no entanto,
Receio finde ali a última quimera.
E nessa solidão de Ideal, portanto,
Transito dia a dia em vil espera.
Mas, no te rever, vai ver me espera:
A pá final de cal sobre o meu canto?
E ainda assim, com o rever-te sonho,
E sinto um sopro de passado redivivo.
Mas o riso se esvai, pois se me ponho,
A todo instante, ao duvidar coercivo:
Vai ver, melhor o recordar tristonho,
A te atestar ao sonho dado o abortivo.
Vicente Bastos em Meu Amores...
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