sábado, 28 de agosto de 2010

Cresce dentro de mim, doloroso, humilde pranto;
Alma surda e esquizofrênica, inútil de tristezas,
Desertei da vida pela aspiração do amargo canto
E mesmo assim ainda tive que banhar-me de torpezas;

Quem agora irá prover a insanidade do meu sonho,
Eu, que sempre tive o bem ajustado e negro desvario
De nunca permanecer nas proporções onde me ponho,
Errante e só, comandado pela minha bússola de desvio

Sempre a refulgir, nos oceanos de uma sinistra paz;
Meu reino imbecil, descoberto por defeituoso impostor,
Repetente de todas as classes da infâmia sempre audaz;

Minha terra sombria de obscenidade, na voz de um homem
A quem determinaram inteira sujeição ao destino opressor,
Abençoado, enquanto vida tiver, as horas que me consomem!


Jorge Nascimento em Meu Amores...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Economia

Quando economizo
o uso do sentimento
apago as luzes do coração
desligo os receptores da alma.

Custo muito alto
que onera o orçamento
do fim da minha vida.

É talvez a única sobra
em que...
Sobra alguma tristeza
na falta
da falta que faz
do economia que nunca traz
de volta o sentimento perdido.

Ausência de sentimento
reservado,
tragado ao universo.

E toda essa economia,
para que?
Nossa...
Há quanto tempo não posto...
Quanta saudade...

Mas eis que sem demora,
mais uma poesia que brota
do mais profundo do peito.

Meu Amores...