Cela que aprisiona o vazio,
É o calor que congela todo o frio
Soldado da guerra da renúncia
Sombra que persegue o perdão
Palhaço que desarma a bagunça
O espinho que arranha a maldade
Vício no prazer da liberdade
Espelho que emagrece todo ego...
Pétala rebelde no outono
Primavera que se humilha ao deserto
Sol do meio-dia no verão
Mãe que se atira no inverno
Maestro do concerto da espera...
Vaidade que se orgulha da impotência
Caravela que descobre a inocência
Dor na cruz por quem não merecia...
sexta-feira, 28 de maio de 2010
sábado, 22 de maio de 2010
Poema sobre a recusa
Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus
dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva
Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de
ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus
dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva
Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de
ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda
Maria Tereza Horta em Meu Amores...
terça-feira, 11 de maio de 2010
São Meus Estes Rios
São meus estes rios
que buscam caminho
rastejando entre luar e silêncio,
sombra e madrugada,
até ao seu fim marítimo.
A minha alma está neles,
líquida e sonora
como a água entre o quissange das pedras,
o anoitecer nas fontes.
Tenho rios vermelhos e quentes
na minha dimensão física,
rios remotos, remotos como eu.
Manuel Lima em Meu Amores...
Consciência...
Há dias que são estranhos
que o sol nasce meio virado,
meio cinza, meio pálido.
Não esquenta, não ilumina.
Isso sempre me fez pensar...
Ontem mesmo foi assim,
dia de sol virado
assim mesmo ensolarado
caso de folhetim.
Andando por uma viela
bem perto à minha casa
tive encontro com uma bela
por nome Consciência.
Eu a olhei e ela pra mim
uma palavra e nada mais
tocando em tão profundo
gerou feridas mortais.
Essa tal de Consciência
abriu-me os olhos para quem sou
me fez olhar, a contragosto
para o meu interior.
Vi, então, com olhos pasmos
o lixo que se ajuntou.
Da mesma forma essa tal
com seu olhar e seu sorriso
me fez pegar, de prontidão
as pás, carros de mão,
e ficar de sobreaviso.
Limpar tudo o que vi
com esforço indiviso.
Disse me ela:
"O mundo se acabará!"
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