Dias de primavera são assim
incontáveis dias.
Quando cessam trazem lembranças
do Sol da manha, da brisa da tarde.
Penso pois dos dias
da primavera da minha vida
que parece nunca ter começado.
Um inverno que nunca acaba.
Inverno pois do qual sempre me lembro
não por ser em si inverno,
mas pela espera demorada
dos dias da primavera.
As flores crescem nos campos,
a partir dessa,
as flores murcham nos campos
a partir daquela.
Mas o que as duas tem em comum?
As flores presentes estão...
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Desengano
Nos braços do Amor, o Fado amaro
Me pôs um dia cru, enraivecido;
Me pôs para sofrer, que o dolorido
E tenebroso Amor, me custou caro.
Em lágrimas e Dor, no desamparo,
Amor me foi algoz, e foi bandido;
Foi loucura este Amor, que o deus Cupido,
Por ser vidente e cego, é pomo raro.
Oh Dor, míseras tunas, meus enganos,
Tristes águas, alvor de mágoas mil:
Meu candor, que assim foi nas almas danos,
Seja alor, seja alegre e pastoril,
Que é triste eu ir morrendo anos e anos,
Como é vil, um Abreu não ter Abril.
Paulo Brito e Abreu em Meu Amores...
Me pôs um dia cru, enraivecido;
Me pôs para sofrer, que o dolorido
E tenebroso Amor, me custou caro.
Em lágrimas e Dor, no desamparo,
Amor me foi algoz, e foi bandido;
Foi loucura este Amor, que o deus Cupido,
Por ser vidente e cego, é pomo raro.
Oh Dor, míseras tunas, meus enganos,
Tristes águas, alvor de mágoas mil:
Meu candor, que assim foi nas almas danos,
Seja alor, seja alegre e pastoril,
Que é triste eu ir morrendo anos e anos,
Como é vil, um Abreu não ter Abril.
Paulo Brito e Abreu em Meu Amores...
sábado, 19 de setembro de 2009
Relógio
Espero pacientemente
mas ela não chega
passam se quase 10 segundos
da última vez que vi o relógio.
Tempo que não passa que
não passa.
Que horas são?
Tempo que não passa.
Consulto todos os relógios
o meu parou?
Não...
Mas porque ainda são?
Não aguento mais isso,
relógio que me mata,
de esperar, de passar
o tempo pensando,
êee... Seu relógio...
Que horas mesmo são?
mas ela não chega
passam se quase 10 segundos
da última vez que vi o relógio.
Tempo que não passa que
não passa.
Que horas são?
Tempo que não passa.
Consulto todos os relógios
o meu parou?
Não...
Mas porque ainda são?
Não aguento mais isso,
relógio que me mata,
de esperar, de passar
o tempo pensando,
êee... Seu relógio...
Que horas mesmo são?
Venho de longe, trago o pensamento
Venho de longe, trago o pensamento
Banhado em velhos sais e maresias;
Arrasto velas rotas pelo vento
E mastros carregados de agonia.
Provenho desses mares esquecidos
Nos roteiros de há muito abandonados
E trago na retina diluídos
Os misteriosos portos não tocados.
Retenho dentro da alma, preso à quilha
Todo um mar de sargaços e de vozes,
E ainda procuro no horizonte a ilha
Onde sonham morrer os albatrozes...
Venho de longe a contornar a esmo,
O cabo das tormentas de mim mesmo.
Paulo Bonfim em Meu Amores
Banhado em velhos sais e maresias;
Arrasto velas rotas pelo vento
E mastros carregados de agonia.
Provenho desses mares esquecidos
Nos roteiros de há muito abandonados
E trago na retina diluídos
Os misteriosos portos não tocados.
Retenho dentro da alma, preso à quilha
Todo um mar de sargaços e de vozes,
E ainda procuro no horizonte a ilha
Onde sonham morrer os albatrozes...
Venho de longe a contornar a esmo,
O cabo das tormentas de mim mesmo.
Paulo Bonfim em Meu Amores
sábado, 12 de setembro de 2009
Para Além do Desespero...
Para além do desespero...
Apenas a criança
Numa paisagem de nada
A sua boca não ri
(Nunca soube
que uma boca de criança
foi feita para rir)
Os seus olhos não choram
(Não há lágrimas para além do desespero)
Os seus pés
não correm atrás de borboletas
e as suas mãos
não abrem covas na areia
(Não há borboletas nem areia
numa paisagem de nada).
Para além do desespero...
Também minha revolta
com cadeados nos pulsos.
Ovídio Martins em Meu Amores...
Apenas a criança
Numa paisagem de nada
A sua boca não ri
(Nunca soube
que uma boca de criança
foi feita para rir)
Os seus olhos não choram
(Não há lágrimas para além do desespero)
Os seus pés
não correm atrás de borboletas
e as suas mãos
não abrem covas na areia
(Não há borboletas nem areia
numa paisagem de nada).
Para além do desespero...
Também minha revolta
com cadeados nos pulsos.
Ovídio Martins em Meu Amores...
A Mulher
Na mulher toda têmpera se envolve
Seu ciúme é cuidado impertinente
Seu desejo é fornalha incandescente
Quando pode, é perigo, o que devolve,
Quando está duvidosa só resolve
Pelo fio da ânsia propulsora,
Quando assume o papel de genitora
Aurifica seu corpo fecundante,
Prá tornar-se a maior representante
Dessa lei biológica criadora
No namoro é centelha de ilusão
No noivado é a fonte de esperança
Sendo esposa é profunda a aliança
E faz unir coração com coração,
Como mãe é suprema adoração!
Sendo sogra é as vezes tempestade
Quando amiga, é amiga de verdade,
Sendo amante é volúpia no segredo,
Porém sendo inimiga causa medo
Ao mais forte machão da humanidade.
Seu ciúme é cuidado impertinente
Seu desejo é fornalha incandescente
Quando pode, é perigo, o que devolve,
Quando está duvidosa só resolve
Pelo fio da ânsia propulsora,
Quando assume o papel de genitora
Aurifica seu corpo fecundante,
Prá tornar-se a maior representante
Dessa lei biológica criadora
No namoro é centelha de ilusão
No noivado é a fonte de esperança
Sendo esposa é profunda a aliança
E faz unir coração com coração,
Como mãe é suprema adoração!
Sendo sogra é as vezes tempestade
Quando amiga, é amiga de verdade,
Sendo amante é volúpia no segredo,
Porém sendo inimiga causa medo
Ao mais forte machão da humanidade.
Soneto Inglês;;;
Quando descer tranqüila e em descanso
Sobre meu peito e meus olhos fechar,
Saiba a Noite que errou em seu balanço
De quem nunca cuidava de a esperar.
Como um rio de margens apertadas
Sem quedas ou saliências de protesto,
Foram lentas as águas renovadas
Na calma sucessão de cada gesto.
Sonhos de eternidade, sonhos vãos
P´ra quem não mereceu deixar memória,
Que o gesso esboroou em suas mãos
De um modelo sem rosto e sem história.
Dormir. E o sono se retarde em anos
E esqueça de cobrar meus desenganos.
Sobre meu peito e meus olhos fechar,
Saiba a Noite que errou em seu balanço
De quem nunca cuidava de a esperar.
Como um rio de margens apertadas
Sem quedas ou saliências de protesto,
Foram lentas as águas renovadas
Na calma sucessão de cada gesto.
Sonhos de eternidade, sonhos vãos
P´ra quem não mereceu deixar memória,
Que o gesso esboroou em suas mãos
De um modelo sem rosto e sem história.
Dormir. E o sono se retarde em anos
E esqueça de cobrar meus desenganos.
Arnaldo França em Meu Amores...
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Verão...
Outono é quase inverno,
Mais inverno que o próprio...
é assim...
Inverno é meio inverno
meio inverso
meio verão...
A primavera se salva
mas também é verão.
O verão sim...
Esse é,
pelo menos aqui...
O verão tem onze meses
e as outras estações...
Um, talvez menos...
É assim nos trópicos...
Mais inverno que o próprio...
é assim...
Inverno é meio inverno
meio inverso
meio verão...
A primavera se salva
mas também é verão.
O verão sim...
Esse é,
pelo menos aqui...
O verão tem onze meses
e as outras estações...
Um, talvez menos...
É assim nos trópicos...
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