quinta-feira, 30 de julho de 2009

A Ideia

De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!


Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!


Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas do laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica ...


Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No mulambo da língua paralítica.


Outra de Augusto dos Anjos em Meu Amores...

A Esmola de Dulce

Ao Alfredo A.

E todo o dia eu vou como um perdido
De dor, por entre a dolorosa estrada,
Pedir a Dulce, a minha bem amada,
A esmola dum carinho apetecido.

E ela fita-me, o olhar enlanguescido,
E eu balbucio trêmula balada:
- Senhora, dai-me u’a esmola - e estertorada
A minha voz soluça num gemido.

Morre-me a voz, e eu gemo o último harpejo,
Estendo à Dulce a mão, a fé perdida,
E dos lábios de Dulce cai um beijo.

Depois, como este beijo me consola!
Bendita seja a Dulce! A minha vida
Estava unicamente nessa esmola.


Augusto dos Anjos em Meu Amores...

domingo, 19 de julho de 2009

Nunca mais

Nunca mais tomarei esse sagrado papel
não terá mais contato com minha caneta
e não existirão mais palavras
para descrever meu sentimento por ti.

Essa será a última vez que me lembrarei
de seus olhos, cabelos, sorriso...
Meus versos serão de outra
palavras para outro alguém.

Não digo nem do que tivemos
porque nada tivemos
além dos olhares, trocados.
O que nunca existiu acabou
e não mais existirá...

Temos mais nada em comum
nada de olhares, nada de sorriso...
Tudo se acaba...
Tudo
E não resta mais nada...



domingo, 12 de julho de 2009

A guerra

Ataque pelos flancos
diria o velho general
faça o inimigo dividir-se
e leve-os todos ao funeral...

Só que não se tratava de um inimigo
uma inimiga? Talvez...
Uma inimiga dessas
que derrota qualquer desavisado
e o põe-lhe o rosto em terra
o humilha... Atravessa o coração.

A vitória verdadeira,
é aquela conquistada antes da batalha
enquanto as armas não estão
desabainhadas...
Neste quesito, especialista é
antes que se firme qualquer
defesa...
O ataque é fatal,
não diria mortal...
Mas inebriante...

Poucos foram por ela atacados,
todos dominados
essa seria sem dúvida
a derrota mais esperada
a humilhação mais desejada
do mundo
por todos os soldados...

Emanuel Miranda em Meu Amores...


Promessas


Promessas, guerras, conflitos,
fazem a hora da existência
e a certeza é uma só:
o amanhã será sombrio !


Promessa que não se cumpre
vai matando a esperança
e a guerra que busca a paz
traz a insegurança da paz.


Felizes os loucos e inocentes
que vivem das fantasias
e que das promessas não conhecem
o lado das traições.


Epitácio Mendes Silva em Meu Amores


quinta-feira, 9 de julho de 2009

Medicina e Poesia

Desde tempos remotos, medicina
anda ao lado das letras, da cultura,
e irradia saber nessa mistura
intrigante e instigante, nessa sina
exemplar, salutar faina divina
em fazer da caneta o bisturi
e do choro do ofício fazer rir
pra poder renovar o sentimento.
A cultura é o melhor medicamento
espiritual, da vida o elixir.


Desde tempos remotos o poeta
é o maior vendedor de sentimento
ao cantar sua dor, o seu lamento,
ao fazer do prazer a sua meta.
A ciência era, então, muito discreta
e buscava a verdade em qualquer ar;
e nos seus desacertos foi buscar
nos escritos um novo lenimento;
o poeta curou o sofrimento,
o doutor fez a dor cruel passar.


E não mais separou-se, desde então,
o mister de curar do de escrever.
O contista mostrou também saber
e foi ter nos confins do coração
a cadência da sua inspiração.
Descobriu na ciência a melodia
e passou a viver seu dia-a-dia
entre o som mavioso do saber
e o gostoso prazer de escrever:
Medicina juntou-se a Poesia.


É preciso manter essa união,
é preciso manter ativa a chama.
O doutor que se fecha no seu drama
alimenta o sofrer do coração.
Não retire o doutor (cirurgião,
pediatra, obstetra ou analista)
a caneta da mão. Escreva. Insista
em manter a cultura em sua mente.
Alimente o saber e se alimente;
abra os braços pra mais esta conquista.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Sonetos Platônicos I

Lembro-me da primeira vez
vez em que a vi
tão quando percebi,
o sentimento me refez.


Corpo magro, cabelo negro
aparelho ortodôntico?
Me mostou o desapego
com a física do quântico.


Me lembro daquele dia
noite ou manhã,
pois não sei bem ao certo, não pude perceber.


Seria coisa vã aquilo que pude ter?
E apenas em sonho concebia,
A chance de a conhecer...


Na volta de MEU AMORES, após uma longa temporada sem postagens (por favor não me culpem, esse período foi um pouco mais ou menos mais estafante que os últimos) venho com uma série de sonetos, aos quais dei o nome de Sonetos Platônicos. 

Espero que gostem, e como promessa deixo de postar pelo menos uma poesia por dia nessas férias... Um grande abraço.

"Meu Amores", nova vida nova inspiração.